Quem já trabalhou comigo, sabe que não consigo fazer nada sem "entrar de cabeça". Não estou falando da famosa "garra nojenta", que às vezes mais atrapalha que ajuda. No meu caso, não me é possível ensaiar, por exemplo, sem dar tudo que tenho.
Fulano "dá o sangue por seu trabalho" é uma expressão usual. No meu caso, essa expressão pode ser substituída por "o Marcelo dá os dentes pelo teatro!". Bem, não foram oS dentes, foi unzinho só.
No ensaio de ontem do espetáculo Solos trágicos, que estreará dia 22 de janeiro, estava eu, bem concentrado, passando a minha cena, quando um acidente ordenado pelas forças do universo determinou que um dos meus incisivos centrais seria sacrificado pelo bem do... do que mesmo?
E o que é mais interessante: eu já passei essa cena muitas vezes, com as mesmas ações, ou seja, nada fiz de diferente. O caso é que, desta vez, em vez de uma pedra no meio do meu caminho, havia um sapato de salto. Sim: consegui a proeza de quebrar meu dente no salto de um sapato (feminino), que estava "de barriga para baixo". Minha boca moveu-se com velocidade suficiente em direção ao salto, que estava oculto sob uma peça de roupa. Tentei pegar a roupa com os dentes e encontrei o salto fatal.
Hoje vou ao meu dentista, que vai me atender fora do horário normal, e ver o que pode ser feito. E para os meus fãs, não se precocupem: o sorriso mais lindo do teatro gaúcho voltará em breve a ser o que era, com todos os dentes alinhados! Presságios de tratamento de canal ameaçam meu horizonte, mas se é para deixar tudo como era antes, vamos lá.
Marcelo Ádams
domingo, 10 de janeiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
Stand up drama
No próximo dia 15 de janeiro estreia o espetáculo Stand up drama, direção de Bob Bahlis para oito histórias contadas por quatro atores, numa estrutura de stand up, ou seja, um ator perante uma plateia, tendo como único elemento cênico um microfone. O diferencial - que já pode ser percebido pelo título da peça - é que as histórias narradas são todas densas, dramáticas, ao contrário do gênero amplamente divulgado atualmente, e que tem seu ponto alto nos one man show norte-americanos, que dominam a arte de contar piadas como ninguém.
Sete dos textos são depoimentos reais, que foram compilados por Paul Auster em seu livro Achei que Deus fosse meu pai, na época em que comandava um programa de rádio nos EUA; há também um conto do escritor uruguaio Mario Benedetti.
Tive oportunidade de assistir a um dos ensaios, e o que vi é muito promissor: Margarida Leoni Peixoto, Clóvis Massa, Patsy Cecato e Léo Ferlauto conseguem envolver emocionalmente apenas com a narração agridoce, em um trabalho simples mas carregado de densidade.
A peça fará apenas três apresentações, de 15 a 17 de janeiro, na Sala Álvaro Moreyra, às 21h, dentro da programação do Porto Verão Alegre. É uma bela surpresa encontrar um espetáculo com uma proposta diferente das que se consagraram no verão porto-alegrense, muitas vezes dominado por comédias sem nenhum conteúdo e - o que é pior - que não fazem rir. Stand up drama merece ser visto.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Morre um grande ator gaúcho: Luiz Carlos de Magalhães

Luiz Carlos de Magalhães, o Maga, faleceu em Rio Grande, com 88 anos; era, seguramente, um dos atores mais idosos em atividade em nosso Estado.
Tive a honra de trabalhar com o Maga por duas vezes: em 2002, nas filmagens do longa metragem Noite de São João, dirigido por Sérgio Silva; e, no mesmo ano e em 2003, na peça A ronda do lobo- 1826, texto de Ivo Bender e direção de Decio Antunes, onde ele interpretava meu pai, que me expulsava da Alemanha para o Brasil, por ter cometido um fratricídio.
A foto aí acima é do Maga interpretando a personagem Jean Harlow do Partenon, na peça O cabaré de Maria Elefante, também de Ivo Bender e com direção de Arines Ibias, em montagem de 1981.
O Maga era uma pessoa extremamente alegre, bem-humorado, cáustico, malicioso...Volta e meia dava um jeito de relatar alguma de suas experiências amorosas, que ouvíamos impressionados por sua vivacidade.
O Maga vai deixar muitas saudades!
domingo, 3 de janeiro de 2010
Deborah Finocchiaro e o teatro gaúcho
A nossa querida atriz e diretora Deborah Finocchiaro mantém um programa semanal na Rádio BandNews FM 99,3 chamado Colunas de Teatro. Todos os sábados entre 9h e 10h da manhã, dentro do programa Edição de Sábado, ela apresenta seu programete que trata exclusivamente dos nossos artistas teatrais. É um espaço único e maravilhoso para divulgar nossa produção para um público bem mais abrangente.
Com sua linda voz e carisma, Deborah já tratou de vários temas nesses meses em que o programa vai ao ar: Luiz Paulo Vasconcellos, Ói Nóis Aqui Traveiz, Ivo Bender, Luciano Alabarse, Arlete Cunha, Nélson Diniz e muitos outros.
Desta vez, a Deborah convidou eu e a Margarida, da Cia. de Teatro ao Quadrado, para ser tema de um dos próximos programas. Ficamos muito felizes. Para quem não conseguir ouvir no horário em que for exibido, a Deborah mantém, em seu site http://www.deborahfinocchiaro.com/, todas os programas gravados, que podem ser acessados a qualquer hora. Vai lá e confere!
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Abraços partidos
Abraços partidos é um filme com bem pouco daquele humor amargo que nos acostumamos a admirar. As tramas policialescas que Almodóvar tanto admira, herdeiras do film noir, estão presentes na nova produção, bem como a homenagem ao melodrama de revelações surpreendentes. No entanto, se nos filmes anteriores essa mistura funcionava muito bem, aqui o ritmo e o interesse caem em muitos momentos. Já li, de um crítico, que esse filme, também estrelado por Penélope Cruz, marca uma mudança no cinema almodovariano: mais sério, mais maduro, autorreferencial. Há, inclusive, uma grande citação ao seu grande sucesso Mulheres à beira de um ataque de nervos (1988), filme que o tornou mundiamente conhecido. Toda uma sequência, ao final do filme, é praticamente uma refilmagem daquele extravagante obra estrelada pela ex-musa Carmen Maura, aqui interpretada por Penélope Cruz.
Mesmo os filmes menores dos grandes autores têm que ser vistos, pois dão uma amostra do universo criado por eles. Claro que a vontade é assistir a obras-primas sucessivas, mas isso é praticamente impossível: há que se permitir o escorregar e levantar dos artistas. Com o teatro é o mesmo. Dramaturgos, encenadores, atores, todos têm seus bons e menores momentos. Temos que ser menos intransigentes e compreender que arte não é fórmula, tudo afeta sua feitura.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Um violinista no telhado
Adoro musicais, e ver um deste porte, com tão belo acabamento, é um prazer. Foi possível, na busca por material para nossa encenação, perceber algumas ações que poderemos aproveitar por aqui. Abaixo um link com uma das cenas mais conhecidas do filme, onde o ator Topol interpreta um patriarca judeu em busca de respostas para um questão: por que não pode ser rico?
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Avatar
Lançado neste final de 2009, com a expectativa de se tornar um novo divisor de águas na história do cinema, o filme Avatar, de James Cameron, de fato apresenta inovações tecnológicas inéditas. Assisti ao longa em 3D, o que proporciona uma experiência ainda mais interativa. A perfeição alcançada pelas expressões faciais e corporais das personagens criadas digitalmente impressiona, e a comparação com filmes mais antigos que utilizam uma tecnologia semelhante é até injusta.
Cameron é um diretor visionário, que costuma criar engenhocas e equipamentos especialmente para serem utilizados em suas produções. Já fôra assim com seu filme anterior, Titanic, de 1997. Da mesma forma, com O exterminador do futuro 2 e O segredo do abismo, o diretor apresentou imagens nunca antes vistas nas telas. É, de fato, Avatar uma nova maneira de lidar com efeitos especiais: as figuras recriadas digitalmente ocupam a maioria do tempo do filme, ainda que atores de carne e osso tenham vez (Sigourney Weaver, a musa da série Alien, cujo segundo episódio, Aliens, o resgate, foi dirigido por Cameron em 1986, dá as caras aqui também).
Em relação à história que serve de pretexto para a profusão de efeitos inovadores, pode-se dizer que é politicamente corretíssima, já que tem como principal foco de conflito a exploração do meio ambiente por motivos econômicos. Mas não é só isso: os Navi, povo gigantesco que vive em tribo na lua chamada Pandora, são, sucessivamente, representados de forma a lembrarem, nitidamente, o povo norte-americano - em alguns momentos -, e, por outro lado, justamente os povos dominados pelo poderio bélico norte-americano, como vietnamintas ou iraquianos. Explico melhor: em uma cena, uma grande árvore sagrada dos Navi é destruída por um ataque americano, e a destruição dessa árvore é uma clara citação à queda das Torres Gêmeas - nesse caso, os americanos representam os terroristas, e os Navi, os nova yorkinos. Em outros momentos, a sanha de exploração do exército do filme, que não mede esforços para destroçar o povo indefeso com armas poderosas, lembra os ataques do exército yankee ao Vietnã ou ao Iraque: não havia equiparação bélica, e mesmo assim, eles foram inclementes. Nesses momentos, os Navi são os vietnamitas, e os americanos representam a si próprios.
Cameron defende seu ponto de vista de forma digna, ainda que esquemática e previsível. Mas não é um filme para se reclamar, e sim para se admirar.
Cameron é um diretor visionário, que costuma criar engenhocas e equipamentos especialmente para serem utilizados em suas produções. Já fôra assim com seu filme anterior, Titanic, de 1997. Da mesma forma, com O exterminador do futuro 2 e O segredo do abismo, o diretor apresentou imagens nunca antes vistas nas telas. É, de fato, Avatar uma nova maneira de lidar com efeitos especiais: as figuras recriadas digitalmente ocupam a maioria do tempo do filme, ainda que atores de carne e osso tenham vez (Sigourney Weaver, a musa da série Alien, cujo segundo episódio, Aliens, o resgate, foi dirigido por Cameron em 1986, dá as caras aqui também).
Em relação à história que serve de pretexto para a profusão de efeitos inovadores, pode-se dizer que é politicamente corretíssima, já que tem como principal foco de conflito a exploração do meio ambiente por motivos econômicos. Mas não é só isso: os Navi, povo gigantesco que vive em tribo na lua chamada Pandora, são, sucessivamente, representados de forma a lembrarem, nitidamente, o povo norte-americano - em alguns momentos -, e, por outro lado, justamente os povos dominados pelo poderio bélico norte-americano, como vietnamintas ou iraquianos. Explico melhor: em uma cena, uma grande árvore sagrada dos Navi é destruída por um ataque americano, e a destruição dessa árvore é uma clara citação à queda das Torres Gêmeas - nesse caso, os americanos representam os terroristas, e os Navi, os nova yorkinos. Em outros momentos, a sanha de exploração do exército do filme, que não mede esforços para destroçar o povo indefeso com armas poderosas, lembra os ataques do exército yankee ao Vietnã ou ao Iraque: não havia equiparação bélica, e mesmo assim, eles foram inclementes. Nesses momentos, os Navi são os vietnamitas, e os americanos representam a si próprios.
Cameron defende seu ponto de vista de forma digna, ainda que esquemática e previsível. Mas não é um filme para se reclamar, e sim para se admirar.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Peter Brook
Em seu livro de memórias Fios do tempo (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000), o inglês Peter Brook, maior diretor de teatro vivo, escreve, na página 85:
Descobri que, no resto do teatro, nenhuma tática violenta ou agressiva tem a mais remota chance de produzir bons resultados. Nas raras ocasiões em que perdi o meu bom humor, intimidei ou levei um ator às lágrimas, arrependi-me profundamente. Uma atriz francesa uma vez me contou de um diretor que comia sanduíches ruidosamente e amassava o pacote de papel durante as suas cenas, apenas para criar um clima de irritação, de modo que, dos nervos fragilizados, algo inesperado pudesse explodir. Esse método poderia funcionar com ele, mas, em minha experiência, a tensão e o atrito em ensaios nunca ajudaram ninguém - apenas a grande confiança, calma e tranquila, pode trazer à tona o mais leve lampejo de criatividade.
Descobri que, no resto do teatro, nenhuma tática violenta ou agressiva tem a mais remota chance de produzir bons resultados. Nas raras ocasiões em que perdi o meu bom humor, intimidei ou levei um ator às lágrimas, arrependi-me profundamente. Uma atriz francesa uma vez me contou de um diretor que comia sanduíches ruidosamente e amassava o pacote de papel durante as suas cenas, apenas para criar um clima de irritação, de modo que, dos nervos fragilizados, algo inesperado pudesse explodir. Esse método poderia funcionar com ele, mas, em minha experiência, a tensão e o atrito em ensaios nunca ajudaram ninguém - apenas a grande confiança, calma e tranquila, pode trazer à tona o mais leve lampejo de criatividade.
Contagem regressiva
A menos de um mês da estreia de Solos trágicos, o novo espetáculo dirigido pelo Roberto Oliveira no Depósito de teatro, as expectativas são muitas, assim como é pequeno o tempo para alinhavar todas as pontas que faltam para tornar a peça uma unidade artisticamente coerente. Não tenho dúvidas de que isso acontecerá, e na nossa primeira apresentação pública, no dia 22 de janeiro, teremos chegado a um resultado satisfatório, mesmo sabendo que a peça se transformará com o decorrer das apresentações.
Na foto acima, pode ser visto o local em que ocorrerão as apresentações, ao lado da Usina do Gasômetro, ao ar livre. O espaço, na foto, ainda está sem a cenografia e sem a infra-estrutura, mas dá para ter uma ideia. Na outra foto, eu, em ensaio na sala 402 da Usina.
O que é instigante em Solos trágicos é a reunião de autores tão brilhantes em um mesmo espetáculo. Fragmentos de Eurípides, Sófocles, Ésquilo, Shakespeare, Nelson Rodrigues e Michel Azama, em algumas de suas melhores criações, como Agamemnon, Ifigênia, Etéocles, Antígona, Electra, Hamlet, Ofélia, Macbeth, Lady Macbeth, Misael e Moema povoam esse mundo que criamos, após uma catástrofe natural.
Na foto acima, pode ser visto o local em que ocorrerão as apresentações, ao lado da Usina do Gasômetro, ao ar livre. O espaço, na foto, ainda está sem a cenografia e sem a infra-estrutura, mas dá para ter uma ideia. Na outra foto, eu, em ensaio na sala 402 da Usina.
O que é instigante em Solos trágicos é a reunião de autores tão brilhantes em um mesmo espetáculo. Fragmentos de Eurípides, Sófocles, Ésquilo, Shakespeare, Nelson Rodrigues e Michel Azama, em algumas de suas melhores criações, como Agamemnon, Ifigênia, Etéocles, Antígona, Electra, Hamlet, Ofélia, Macbeth, Lady Macbeth, Misael e Moema povoam esse mundo que criamos, após uma catástrofe natural.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Doutorado
As boas notícias estão chegando juntas!
Ontem confirmei a aprovação do meu projeto no Doutorado em Letras da PUCRS. A partir de março inicio o curso, com duração de quatro anos. Minha tese, que será orientada pela professora Dra. Maria Tereza Amodeo, tem o título de Estratégias da comicidade: a poética do riso nas comédias teatrais de Ivo Bender.
Sempre gostei muito de estudar, e mesmo nas ocasiões em que não estava cursando nenhuma graduação ou pós, estudava por conta própria as coisas que me interessavam. Agora, voltando aos bancos acadêmicos, tenho certeza de que terei muitas leituras e conversas prazerosas (é claro que nem tudo é um néctar, mas é preciso sorvê-lo, às vezes em lugares inusitados).
2010, antes de começar, já está me dando muitas alegrias!
Ontem confirmei a aprovação do meu projeto no Doutorado em Letras da PUCRS. A partir de março inicio o curso, com duração de quatro anos. Minha tese, que será orientada pela professora Dra. Maria Tereza Amodeo, tem o título de Estratégias da comicidade: a poética do riso nas comédias teatrais de Ivo Bender.
Sempre gostei muito de estudar, e mesmo nas ocasiões em que não estava cursando nenhuma graduação ou pós, estudava por conta própria as coisas que me interessavam. Agora, voltando aos bancos acadêmicos, tenho certeza de que terei muitas leituras e conversas prazerosas (é claro que nem tudo é um néctar, mas é preciso sorvê-lo, às vezes em lugares inusitados).
2010, antes de começar, já está me dando muitas alegrias!
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Prêmio de Pesquisa do Teatro de Arena
Recebemos a grande notícia de que fomos contemplados com o Prêmio de Incentivo à Pesquisa Teatral do Teatro de Arena de Porto Alegre!
Foram selecionados dois projetos para ocupar o Arena em 2010, que receberão uma verba de R$ 22.000,00 cada um. Nós da Cia. de Teatro ao Quadrado teremos o Arena durante todo o 2º semestre de 2010, com o projeto Teatro do Absurdo 60 anos, cujo carro-chefe é a montagem do espetáculo A lição, de Eugène Ionesco. Além disso, leituras dramáticas e oficinas gratuitas movimentarão aquele espaço que tanto adoramos!
Ficamos muito felizes em ter reconhecida nossa proximidade e identificação com o Arena, espaço para o qual já montamos algumas de nossas peças: A secreta obscenidade de cada dia (2002), Escola de mulheres (2004) e Goela abaixo ou Por que tu não bebes? (2005).
Além do nosso projeto, foi selecionado o novo trabalho de Camilo de Lélis, grande diretor gaúcho que anda meio sumido de nossos palcos. Durante o 1º semestre, ele invadirá o Arena com seu projeto Corpo - comida - capitalismo - ansiedade - depressão: MILKSHAKESPEARE.
Milkshakespeare é um texto teatral do Júlio Zanotta Vieira, e o conheço bem porque fiz uma leitura dramática dele em 2006, com direção do Decio Antunes, no Studio Stravaganza. Uma enlouquecida mistura de Hamlet, Macbeth e outros baratos: é a cara do Camilo! Tenho certeza que será um lindo trabalho!
Foram selecionados dois projetos para ocupar o Arena em 2010, que receberão uma verba de R$ 22.000,00 cada um. Nós da Cia. de Teatro ao Quadrado teremos o Arena durante todo o 2º semestre de 2010, com o projeto Teatro do Absurdo 60 anos, cujo carro-chefe é a montagem do espetáculo A lição, de Eugène Ionesco. Além disso, leituras dramáticas e oficinas gratuitas movimentarão aquele espaço que tanto adoramos!
Ficamos muito felizes em ter reconhecida nossa proximidade e identificação com o Arena, espaço para o qual já montamos algumas de nossas peças: A secreta obscenidade de cada dia (2002), Escola de mulheres (2004) e Goela abaixo ou Por que tu não bebes? (2005).
Além do nosso projeto, foi selecionado o novo trabalho de Camilo de Lélis, grande diretor gaúcho que anda meio sumido de nossos palcos. Durante o 1º semestre, ele invadirá o Arena com seu projeto Corpo - comida - capitalismo - ansiedade - depressão: MILKSHAKESPEARE.
Milkshakespeare é um texto teatral do Júlio Zanotta Vieira, e o conheço bem porque fiz uma leitura dramática dele em 2006, com direção do Decio Antunes, no Studio Stravaganza. Uma enlouquecida mistura de Hamlet, Macbeth e outros baratos: é a cara do Camilo! Tenho certeza que será um lindo trabalho!
sábado, 19 de dezembro de 2009
Sacra folia dia 22 na Praça da Matriz
Nesta terça-feira, dia 22 de dezembro, às 19h, o espetáculo de teatro de rua Sacra folia, da Cia. Stravaganza, será apresentado no Centro de Porto Alegre, na Praça da Matriz, desejando um Feliz Natal a todos.
Dirigido por Adriane Mottola, a peça tem texto de Luís Alberto de Abreu, e já está há anos em cartaz, desde sua estreia em 2002. No elenco: eu, Lauro Ramalho, Fernando Kike Barbosa, Sofia Salvatori, Rodrigo Mello, Vinícius Petry, Geórgia Reck, Janaina Pelizzon e Adelino Costa.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Mães e sogras já tem data de estreia
Já temos definida a data de estreia do novo espetáculo da Cia. de Teatro ao Quadrado: Mães e sogras estreará no dia 9 de abril de 2010, cumprindo temporada às sextas, sábados e domingos, até 2 de maio, no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
domingo, 13 de dezembro de 2009
Locomoc e Millipilli
Esses dias estava conversando com o Roberto Oliveira, e ele me perguntou se eu já havia feito teatro infantil. Eu disse a ele que sim, apenas dois espetáculos. Apesar de gostar de assistir, não gosto muito de fazer como ator - pelo horário, principalmente. No entanto, já fui jurado do Prêmio Tibicuera várias vezes, neste ano de 2009, inclusive.
Esta imagem é do segundo e último infantil que fiz, em 2005. Texto alemão, de Rainer Hochfeld e Volker Ludwig, direção da Luciana Éboli e no elenco eu, Margarida Leoni Peixoto, Alexandre Scapini, Elisa Viali, Felipe de Paula e José Alessandro. Vencemos quase todos os prêmios Tibicuera daquele ano: melhor espetáculo, direção, atriz coadjuvante (Margarida), ator coadjuvante (Felipe), cenário (Daniel Lion) e figurino (Daniel Lion), além do prêmio do júri popular.
Em janeiro serão divulgados os indicados ao Prêmio Tibicuera de 2009, que já foram escolhidos, mas ainda não posso divulgar. Em um ano com apenas 12 espetáculos concorrentes, conseguimos indicar os melhores em cada categoria, para depois, em março, na cerimônia de entrega dos troféus, escolher os vencedores.
Esta imagem é do segundo e último infantil que fiz, em 2005. Texto alemão, de Rainer Hochfeld e Volker Ludwig, direção da Luciana Éboli e no elenco eu, Margarida Leoni Peixoto, Alexandre Scapini, Elisa Viali, Felipe de Paula e José Alessandro. Vencemos quase todos os prêmios Tibicuera daquele ano: melhor espetáculo, direção, atriz coadjuvante (Margarida), ator coadjuvante (Felipe), cenário (Daniel Lion) e figurino (Daniel Lion), além do prêmio do júri popular.
Em janeiro serão divulgados os indicados ao Prêmio Tibicuera de 2009, que já foram escolhidos, mas ainda não posso divulgar. Em um ano com apenas 12 espetáculos concorrentes, conseguimos indicar os melhores em cada categoria, para depois, em março, na cerimônia de entrega dos troféus, escolher os vencedores.
Santa Teresinha
Um amigo nosso mandou essa foto de Santa Teresinha, francesa que vivou entre 1873 e 1897. A foto é muito nítida, nem parece ter mais de cem anos. Não é impressionante a semelhança com a Margarida Leoni Peixoto? Estou casado com uma santa e não sabia. Será que estou cometendo alguma heresia?
Toda forma de amor estreia terça
A criação de um espetáculo é sempre um salto no vazio. Quando se começa a ensaiar um novo trabalho, muitas vezes não se tem nada concreto: nem texto, nem cenário, nem figurinos, nem trilha sonora. Nem mesmo a atuação dos atores se concretizou, tudo é potência, tudo é vir-a-ser. Há, porém, algo que, mesmo sendo o menos concreto de todos os elementos, é aquele que dá toda a base, que funciona como um alicerce sobre o qual se constrói a peça: a vontade de fazer e de acertar.
Em agosto de 2009, um grupo de 24 atores se reuniu em torno de uma ideia: falar sobre o amor. E esse discurso sobre o amor se fragmentaria em várias cenas diferentes, que tentariam abarcar muitas das máscaras que o sentimento de Eros veste.
O texto foi chegando, os atores tomando conhecimento de qual das peças desse tabuleiro teriam como missão interpretar. Como em um jogo de xadrez, os movimentos no início são contidos, estudados, calculados. Aos poucos dominamos a técnica, e ousamos um pouco mais nas jogadas, sempre tendo em vista o objetivo final que é conquistar o Rei. Pelo caminho, alguns peões são sacrificados, e são eliminadas algumas das peças que não podem mais fazer parte do jogo (a insegurança, o medo de se expor).
Chegamos agora ao final do jogo. O cara a cara com o público, que dá sentido ao que fazemos, e transforma essa partida em um delicioso e assustador confronto. Ressalva seja feita: o final do jogo é, também, o começo do verdadeiro jogo, mais profundo, mais intenso. Ao nos depararmos com os espectadores, nos esforçamos em mostrar belas jogadas, com ou sem efeito, mas sempre com muita emoção, muita verdade, muito amor.
Este espetáculo que vocês agora assistirão é nosso presente a todos aqueles que acreditam que o teatro tem o poder de transformar a quem vê e a quem faz.
Esse texto acima consta do programa do espetáculo que fará três apresentações, de 15 a 17 de dezembro, às 21h, no Centro Cultural da Cia. de Arte (Andradas, 1780). Os ingressos estão praticamente esgotados.
Direção da Margarida Leoni Peixoto com texto meu.
Na foto acima, os atores Ohana Homem, Mafalda Guerreiro da Costa e Lorenzo Baroni Fontana.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Rodrigo Lopes: profissão cenógrafo
Rodrigo Lopes, nosso cenógrafo em Mães e sogras, já trabalhou com os principais diretores de teatro de Porto Alegre. Uma amostra de suas criações: A fonte, de Luiz Arthur Nunes (1988); Bella ciao, de Néstor Monastério (1989); Sonata da solidão, de Miriam Amaral (1990); Hospede a primavera em sua casa, de Luiz Paulo Vasconcellos (1990); Pois é, vizinha, de Deborah Finocchiaro (1994); A escova de dentes, de Ramiro Silveira (1996); O bandido e o cantador, de Patrícia Fagundes (1996); 1941, de Decio Antunes (1996); Conto de inverno, de Irion Nolasco (1996); Os saltimbancos, de Ronald Radde (1998); À margem da vida, de Camilo de Lélis (1998); Un beso, un abrazo, un apretón de manos, de Luciano Alabarse (1998); As traças da paixão, de Élcio Rossini (1999); Solos em cena, de Maria Helena Lopes (2000) e Trem-bala, de Irene Brietzke (2000).
O Rodrigo teve o prazer de trabalhar com a equipe do Peter Brook, quando estiveram no Brasil dois de seus espetáculos: em 2002, La Tragedie d'Hamlet, e em 2004, Tierno Bokar. Também fez parte da equipe de 4:48 Psychose, com a atriz Isabelle Huppert.
De prêmios, o cara está cheio: recebeu o Açorianos de Melhor Cenografia em 1996 (1941) e 1999 (As traças da paixão).
Recebeu o Tibicuera de Melhor Cenografia em 1996 (Conto de inverno), 1997 (A bela e a fera) e 1998 (Os saltimbancos).
E até no cinema o Rodrigo já foi premiado: em 2003, recebeu o Troféu Candango de Melhor Direção de Arte de Longa Metragem em 35mm no Festival de Cinema de Brasília, por A festa de Margarete.
Por tudo isso, dá para ver que estamos com o que de melhor poderíamos ter na cenografia de nosso novo trabalho. É um prazer trabalhar com esse grande profissional.
O Rodrigo teve o prazer de trabalhar com a equipe do Peter Brook, quando estiveram no Brasil dois de seus espetáculos: em 2002, La Tragedie d'Hamlet, e em 2004, Tierno Bokar. Também fez parte da equipe de 4:48 Psychose, com a atriz Isabelle Huppert.
De prêmios, o cara está cheio: recebeu o Açorianos de Melhor Cenografia em 1996 (1941) e 1999 (As traças da paixão).
Recebeu o Tibicuera de Melhor Cenografia em 1996 (Conto de inverno), 1997 (A bela e a fera) e 1998 (Os saltimbancos).
E até no cinema o Rodrigo já foi premiado: em 2003, recebeu o Troféu Candango de Melhor Direção de Arte de Longa Metragem em 35mm no Festival de Cinema de Brasília, por A festa de Margarete.
Por tudo isso, dá para ver que estamos com o que de melhor poderíamos ter na cenografia de nosso novo trabalho. É um prazer trabalhar com esse grande profissional.
sábado, 5 de dezembro de 2009
Rafael Ferrari está conosco
O Rafael Ferrari, jovem em idade mas com uma carreira já consolidada, fará parte de nosso espetáculo, Mães e sogras, em uma dupla função. Eu o convidei para musicar algumas canções que escrevi, que farão parte da trilha sonora da peça. Além disso, ele executará ao vivo essas composições. E o mais legal é que também o convenci a estrear como ator: ele fará parte do elenco, interpretando o tão amado filho da protagonista. Quando disse a ele que suas funções no espetáculo seriam ampliadas, imagino que um frio na barriga tomou conta dele, mas como artista/corajoso, aceitou. Bem vindo Rafael, estamos muito felizes por tê-lo conosco! A seguir algumas informações sobre ele:
Multi-instrumentista, compositor, arranjador e professor, o autodidata Rafael Ferrari aprimorou seus conhecimentos com os mestres Daniel Sá, Maurício Carrilho e Roberto Gnattali. É pioneiro no Rio Grande do Sul e um dos poucos no Brasil a tocarem o bandolim de 10 cordas, introduzido na música brasileira pelo baiano Armandinho Macedo na década de 80 e renovado pelo carioca-brasiliense Hamilton de Holanda nos últimos anos. Ele domina, ainda, os violões de seis e sete cordas, cavaquinho, violinha tenor e a bandarra (guitarra baiana).
Vencedor do Prêmio Açorianos de Música edição 2008 como melhor compositor pelo disco Noves Fora com a Camerata Brasileira, pioneiro no Rio Grande do Sul com o bandolim de 10 cordas, foi ganhador do prêmio de 2º lugar no 38º Festival “A Barranca” edição 2009, tocando ao lado de Mário Barbará. Além da carreira solo, Rafael Ferrari é co-fundador da Camerata Brasileira, grupo ligado ao movimento choro-novo, e cujo currículo inclui os elogiados discos Deixa Assim e Noves Fora, e excursões pelo Brasil e exterior, incluindo participações nos eventos Feira da Música (Fortaleza/CE), Cena Musical.BR (Olinda/PE) e Diálogos – Ponto de Cultura (Recife/PE) e nos festivais Guitarra e Luz (Assunción/Paraguai) e 11º Cubadisco (Havana/Cuba) tendo sido, neste último, premiado como um dos principais destaques. Através do projeto Natura Musical, tocou ao lado de nomes como Yamandu Costa e Paulo Moura, em Porto Alegre foi convidado pelo Grupo Chora Mundo (Holanda) para show no Santander Cultural em 2007, teve uma de suas composições - Indiada Jônibus - incluída em CD com trabalhos classificados para a grande final do 9º Festival de Música de Porto Alegre e participou das gravações dos discos de Luciano Zanatta, Mateus Mapa, Otávio Segala e Marcelo Birck.
Ano passado participou da trilha sonora da montagem Édipo, da tragédia de Sófocles, com o diretor Luciano Alabarse, e, do mesmo encenador, em 2009, Platão dois em um. Também participou da Ópera do Malandro, de Chico Buarque de Holanda, dirigida por Ernani Poeta, como Diretor Musical, assinando os arranjos e tocando bandolim 10 cordas e cavaquinho.
Ajudou, ainda, a idealizar e produzir, a partir de 2003, as comemorações do Dia Nacional do Choro em Porto Alegre, iniciativa que já apresentou grandes nomes da música instrumental gaúcha e brasileira para um total de mais de 10 mil espectadores.
Multi-instrumentista, compositor, arranjador e professor, o autodidata Rafael Ferrari aprimorou seus conhecimentos com os mestres Daniel Sá, Maurício Carrilho e Roberto Gnattali. É pioneiro no Rio Grande do Sul e um dos poucos no Brasil a tocarem o bandolim de 10 cordas, introduzido na música brasileira pelo baiano Armandinho Macedo na década de 80 e renovado pelo carioca-brasiliense Hamilton de Holanda nos últimos anos. Ele domina, ainda, os violões de seis e sete cordas, cavaquinho, violinha tenor e a bandarra (guitarra baiana).
Vencedor do Prêmio Açorianos de Música edição 2008 como melhor compositor pelo disco Noves Fora com a Camerata Brasileira, pioneiro no Rio Grande do Sul com o bandolim de 10 cordas, foi ganhador do prêmio de 2º lugar no 38º Festival “A Barranca” edição 2009, tocando ao lado de Mário Barbará. Além da carreira solo, Rafael Ferrari é co-fundador da Camerata Brasileira, grupo ligado ao movimento choro-novo, e cujo currículo inclui os elogiados discos Deixa Assim e Noves Fora, e excursões pelo Brasil e exterior, incluindo participações nos eventos Feira da Música (Fortaleza/CE), Cena Musical.BR (Olinda/PE) e Diálogos – Ponto de Cultura (Recife/PE) e nos festivais Guitarra e Luz (Assunción/Paraguai) e 11º Cubadisco (Havana/Cuba) tendo sido, neste último, premiado como um dos principais destaques. Através do projeto Natura Musical, tocou ao lado de nomes como Yamandu Costa e Paulo Moura, em Porto Alegre foi convidado pelo Grupo Chora Mundo (Holanda) para show no Santander Cultural em 2007, teve uma de suas composições - Indiada Jônibus - incluída em CD com trabalhos classificados para a grande final do 9º Festival de Música de Porto Alegre e participou das gravações dos discos de Luciano Zanatta, Mateus Mapa, Otávio Segala e Marcelo Birck.
Ano passado participou da trilha sonora da montagem Édipo, da tragédia de Sófocles, com o diretor Luciano Alabarse, e, do mesmo encenador, em 2009, Platão dois em um. Também participou da Ópera do Malandro, de Chico Buarque de Holanda, dirigida por Ernani Poeta, como Diretor Musical, assinando os arranjos e tocando bandolim 10 cordas e cavaquinho.
Ajudou, ainda, a idealizar e produzir, a partir de 2003, as comemorações do Dia Nacional do Choro em Porto Alegre, iniciativa que já apresentou grandes nomes da música instrumental gaúcha e brasileira para um total de mais de 10 mil espectadores.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Toda forma de amor
De 15 a 17 de dezembro, às 21 horas, no Centro Cultural da Cia. de Arte (Andradas, 1780), estará em cartaz o mais novo trabalho da Oficina de Montagem de Espetáculo da Cia. de Teatro ao Quadrado. Como ocorre desde 2002, a direção é da Margarida Leoni Peixoto e o texto é meu. Desta vez, o tema é o amor, e como não poderia deixar de ser, o espetáculo se chama Toda forma de amor.
24 alunos-atores dão vida a personagens em doze cenas que tentam abraçar esse sentimento tão complexo, nem sempre bonito, muitas vezes dolorido.
Os quatro atores acima são Mafalda Panattieri, Luiz Heitor Chanan, Ohana Homem e Lorenzo Fontana.
Eu estava brincando que sou, atualmente, o dramaturgo mais encenado em nossa cidade: já escrevi dez peças para a Margarida montar com seus alunos. Nem Shakespeare foi tão encenado em Porto Alegre (brincadeira, pessoal, se tem uma coisa que eu não sou é megalomaníaco!).
Em tempo: a linda foto acima é do Marcelo Sbabo, marido de uma das talentosas alunas do espetáculo, a Gabriela.
24 alunos-atores dão vida a personagens em doze cenas que tentam abraçar esse sentimento tão complexo, nem sempre bonito, muitas vezes dolorido.
Os quatro atores acima são Mafalda Panattieri, Luiz Heitor Chanan, Ohana Homem e Lorenzo Fontana.
Eu estava brincando que sou, atualmente, o dramaturgo mais encenado em nossa cidade: já escrevi dez peças para a Margarida montar com seus alunos. Nem Shakespeare foi tão encenado em Porto Alegre (brincadeira, pessoal, se tem uma coisa que eu não sou é megalomaníaco!).
Em tempo: a linda foto acima é do Marcelo Sbabo, marido de uma das talentosas alunas do espetáculo, a Gabriela.
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