Marcelo Ádams
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Meu aniversário
No dia 23 de outubro fiz aniversário, e a Margarida e os nossos alunos resolveram fazer um churrascão pra comemorar. Foi uma noite muito legal, só com pessoas felizes e querendo se divertir. Graças ao meu homônimo Marcello, que cedeu a casa em Ipanema, pudemos comemorar até de manhã. Eu e a Margarida fomos embora depois das 6h! Na foto, meu bolo de aniversário, decorado com a alcunha que recebi do pessoal (calma, é só porque eu criei as personagens que eles interpretam na peça que estreará em dezembro). A partir da esquerda, alguns dos que estiveram lá: Margarida, Edgar, Luís, Roberto, Daiana, Silvana, Lorenzo e Mafalda.
domingo, 25 de outubro de 2009
Coisas e loisas
Aproveito o título de uma peça curta de Samuel Beckett para dizer que tenho trabalhado bastante nos últimos dias e semanas. Os ensaios do novo espetáculo do Roberto Oliveira, que estreará em janeiro de 2010, Solos trágicos, têm sido bastante intensos. Nos encontramos diariamente, de segunda a sexta, e em sábados alternados. Além dos ensaios, estou finalizando meu projeto de doutorado, que entregarei até dia 30 de outubro.
Nesse meio tempo, dirigi e atuei numa leitura dramática do texto O casal ou Por que você não disse que amava?, de Vera Karam, e apresentei algumas cenas da Antígona de Sófocles, dirigidas pelo Luciano Alabarse, junto com a Vika Schabbach e a Luísa Herter, em um evento no Tribunal Regional Federal. Antes disso, entreguei o texto final da nova peça que escrevi para os 25 alunos do curso de teatro da Margarida. O resultado, Toda forma de amor, poderá ser visto nos dias 15, 16 e 17 de dezembro, às 20h, no Teatro da Cia. de Arte (Andradas, 1780).
Para arrematar, na segunda quinzena de novembro começarei os ensaios do novo espetáculo da Cia. de Teatro ao Quadrado, Mães e sogras, em que dirigirei quatro atrizes que me darão muitas alegrias durante o processo: Margarida Leoni Peixoto, Naiara Harry, Cláudia Lewis e Carla Gasperin. É muito bom trabalhar no que se gosta!
Nesse meio tempo, dirigi e atuei numa leitura dramática do texto O casal ou Por que você não disse que amava?, de Vera Karam, e apresentei algumas cenas da Antígona de Sófocles, dirigidas pelo Luciano Alabarse, junto com a Vika Schabbach e a Luísa Herter, em um evento no Tribunal Regional Federal. Antes disso, entreguei o texto final da nova peça que escrevi para os 25 alunos do curso de teatro da Margarida. O resultado, Toda forma de amor, poderá ser visto nos dias 15, 16 e 17 de dezembro, às 20h, no Teatro da Cia. de Arte (Andradas, 1780).
Para arrematar, na segunda quinzena de novembro começarei os ensaios do novo espetáculo da Cia. de Teatro ao Quadrado, Mães e sogras, em que dirigirei quatro atrizes que me darão muitas alegrias durante o processo: Margarida Leoni Peixoto, Naiara Harry, Cláudia Lewis e Carla Gasperin. É muito bom trabalhar no que se gosta!
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Amanhã tem leitura dramática
Amanhã é o dia de nossa leitura dramática de O casal ou você nunca disse que em amava, último texto teatral escrito por Vera Karam. A direção é minha, e atuo ao lado da Margarida Leoni Peixoto, com quem formo também um casal, na vida real. Minha ideia é brincar com essa situação metaliguística. Vão lá assistir, o texto é muito engraçado, mas ao mesmo tempo melancólico, típico da Vera. É também uma data muito especial, pois no dia 20 de outubro Vera estaria completando 50 anos. Depois da leitura, Luciano Alabarse vai falar sobre sua convivênia com a autora, com quem trabalhou no início dos anos 1980, ela como atriz. Entrada franca!
domingo, 18 de outubro de 2009
Uma imagem de alegria
Encontrei essa foto, clicada no dia da entrega do Prêmio Açorianos aos melhores do teatro e da dança em 2008, em abril deste ano. Na imagem, pela ordem, Thales de Oliveira, Anna Fuão, Daniel Colin, Luísa Herter, Cláudia Lewis, eu, Alice Urbim e o prefeito José Fogaça, ouvindo atentos às palavras da Margarida, ao receber o Troféu RBS Cultura de Melhor Espetáculo pelo Júri popular, por O médico à força. Foi um momento de muita alegria para nós todos!
sábado, 17 de outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Vera Karam: uma paixão no palco
Semana que vem acontecerá uma homenagem à nossa grande dramaturga Vera Karam, que deixou nossos palcos órfãos no dia 1º de janeiro de 2003. No próximo dia 20 de outubro, Vera completaria 50 anos, e sua morte tão precoce deixou a todos nós que admirávamos sua escrita pensando: se até os 43 anos, idade em que morreu, Vera escreveu tão bem, o que poderíamos esperar de sua maturidade criativa? Certamente grandes textos. Fica a saudade e a frustração de não poder conviver mais tempo com essa grande mulher de teatro (que também foi atriz, no começo dos anos 1980). A Coordenação de Artes Cênicas produziu essa homenagem que ocupará a Sala Álvaro Moreyra por quatro dias, e o saguão do Centro Municipal de Cultura, por um mês.
Leia abaixo a programação completa:
A boca: sempre vermelha. A língua: sempre afiada. Veludo veloz.
De 19 de outubro a 16 de novembro - Exposição Vera Karam, no saguão do Centro Municipal de Cultura (Av. Erico Veríssimo, 307)
De 19 a 22 de outubro - Leituras, debates e espetáculo na Sala Álvaro Moreyra (Av. Erico Veríssimo, 307)
dia 19/10 (segunda-feira) - 19h30
• Visita à vovó - leitura dramática do conto, com Raquel Pilger.
• A florista e o visitante - leitura dramática com Carlos Cunha Filho e Laura Backes.
Ambas as leituras dirigidas por Fernando Ochôa
MESA REDONDA
• Narrativas curtas - com o professor e escritor Luiz Antônio de Assis Brasil
• Dramaturgia – com o diretor Decio Antunes
dia 20/10 (terça-feira)- 19h30
• O casal ou você nunca disse que me amava - leitura dramática com direção de Marcelo Adams. No elenco, o diretor e Margarida Leoni Peixoto.
MESA REDONDA
• A obra e a convivência pessoal com a autora - com o diretor Luciano Alabarse
dia 21/10 (quarta-feira)- 19h30
• Dá licença, por favor? - leitura dramática com Lurdes Eloy e Carlos Cunha Filho e direção de Decio Antunes.
• Quem sabe a gente continua amanhã? – leitura dramática dirigida por Maurício Guzinski, com as atrizes Clarice Nejar, Giovana Zottis e Mariana Vellinho, do Grupo Experimental de Teatro da CAC/SMC.
dia 22/10 (quinta-feira) - 19h30
• Maldito coração, me alegra que tu sofras - Apresentação do espetáculo dirigido por Mauro Soares e interpretado por Ida Celina, há anos em cartaz.
Leia abaixo a programação completa:
A boca: sempre vermelha. A língua: sempre afiada. Veludo veloz.
PROGRAMAÇÃO:
De 19 de outubro a 16 de novembro - Exposição Vera Karam, no saguão do Centro Municipal de Cultura (Av. Erico Veríssimo, 307)
De 19 a 22 de outubro - Leituras, debates e espetáculo na Sala Álvaro Moreyra (Av. Erico Veríssimo, 307)
dia 19/10 (segunda-feira) - 19h30
• Visita à vovó - leitura dramática do conto, com Raquel Pilger.
• A florista e o visitante - leitura dramática com Carlos Cunha Filho e Laura Backes.
Ambas as leituras dirigidas por Fernando Ochôa
MESA REDONDA
• Narrativas curtas - com o professor e escritor Luiz Antônio de Assis Brasil
• Dramaturgia – com o diretor Decio Antunes
dia 20/10 (terça-feira)- 19h30
• O casal ou você nunca disse que me amava - leitura dramática com direção de Marcelo Adams. No elenco, o diretor e Margarida Leoni Peixoto.
MESA REDONDA
• A obra e a convivência pessoal com a autora - com o diretor Luciano Alabarse
dia 21/10 (quarta-feira)- 19h30
• Dá licença, por favor? - leitura dramática com Lurdes Eloy e Carlos Cunha Filho e direção de Decio Antunes.
• Quem sabe a gente continua amanhã? – leitura dramática dirigida por Maurício Guzinski, com as atrizes Clarice Nejar, Giovana Zottis e Mariana Vellinho, do Grupo Experimental de Teatro da CAC/SMC.
dia 22/10 (quinta-feira) - 19h30
• Maldito coração, me alegra que tu sofras - Apresentação do espetáculo dirigido por Mauro Soares e interpretado por Ida Celina, há anos em cartaz.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Bastardos inglórios
Um filme de Quentin Tarantino é sempre aguardado como um banho de excelente cinema. Usando como matéria prima muito da cultura pop, misturada a referências do cinema, seus filmes são fascinantes também pela "releitura" de gêneros que faz. Foi assim com os filmes de roubo, como Cães de aluguel, os de artes marciais e vingança, com Kill Bill volume 1 e Kill Bill volume 2, e agora com os filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, com Bastardos inglórios. Como sempre, o elenco é excelente, e traz um ator que anda meio apagado: neste caso, Mike Myers (de Austin Powers), em um papel pequeno, é verdade. Já li que este é considerado um filme mais maduro de Tarantino, e concordo com isso. Apesar de tudo aquilo que esperamos de suas produções estar lá (a violência muitas vezes explícita, o humor nonsense, os diálogos perfeitos, as personagens surpreendentes), desta vez há algo mais. Na falta de uma melhor palavra, vou me juntar aos críticos e chamar de maturidade. Há algumas sequências realmente brilhantes, especialmente as passadas na noite de estreia do filme. O sotaque texano-italiano de Brad Pitt é hilariante. Imperdível.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Solos trágicos
Estou bastante motivado com um novo trabalho que iniciei nesta semana. O espetáculo Solos trágicos, que está sendo dirigido por Roberto Oliveira, com estreia prevista para dezembro, é uma reunião de fragmentos de alguns dos textos trágicos mais importantes da história da dramaturgia ocidental. Sófocles, Eurípides, Shakespeare, Strindberg, Nélson Rodrigues, Heiner Müller, são alguns dos autores que guiarão nosso trabalho. Roberto Oliveira é um diretor que sempre me surpreendeu com suas encenações: Boca de ouro, Auto da Compadecida, O pagador de promessas e Dr. QS- Quriozas Qomédias são espetáculos inesquecíveis para mim, entre os tantos que ele dirigiu. Desta vez, volto a um gênero que me apaixona: a tragédia. Desde a primeira vez que li uma tragédia grega, quando entrei no DAD, fiquei fascinado e devorei tudo que os gregos produziram e nos legaram. Depois, aprofundando o gênero, descobri que a tragédia, mais do que um gênero teatral formalmente definido por Aristóteles em sua Poética, é um estado de ânimo, é uma visão de mundo. É por isso que o trágico é eterno, ao longo de toda a literatura. Alguns dizem que a condição humana é trágica, porque tem consciência de sua finitude. Também penso assim. E ser trágico não é ser pessimista, talvez realista seja a palavra certa. A violência, inerente ao Homem, é o que nos torna trágicos, ainda que tentemos buscar o lado belo da vida. E o teatro, mesmo quando mostra atrocidades, é belo. A arte mostra a beleza do feio.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Anticristo
Dirigido por Lars von Trier, de quem já andei falando aqui no blog, o filme é muito impactante. Apenas Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg, vivendo os pais de um menino morto, Nic. Para exorcizar o luto, vão para o "Éden", um chalé no meio de uma floresta isolada. A partir desse momento, cenas chocantes se sucedem. É díficil descrever o alcance que o filme tem, muito além de chocar pelas cenas de mutilação. É um tipo de horror além da filosofia, e muito marcado por ela, ainda assim. Provavelmente, muito acharão apenas pervertido. Mas é uma obra de arte, daquelas que fazem refletir, muito. Este ano, durante o Festival de Cannes (no qual Charlotte Gainsbourg ganhou a Palma de Ouro de Melhor Atriz), von Trier foi provocado por um repórter que, indignado após a exibição do filme, alteradamente perguntou-lhe "qual o sentido do seu filme, o que ele significa?". O diretor dinamarquês respondeu que era "o melhor diretor do mundo, mas Deus não é o melhor Deus do mundo". Não sei se ele o melhor (o que é o melhor?), mas não tenho dúvida de que é um dos mais criativos e que me me tocam com sua linguagem. Inesquecíveis os seus filmes Ondas do destino, Dançando no escuro, Europa e Dogville. E agora este maravilhoso Anticristo.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Margarida em cena
Como este blog existe para divulgar não apenas os meus trabalhos e os da Cia. de Teatro ao Quadrado, mas também aqueles feitos pela Margarida com outros grupos e profissionais, publico esta foto do espetáculo Hotel Rosa-Flor, de 2006, dirigido pelo Júlio Conte, com texto da Patsy Cecato. Na peça, a Margarida interpretava a falctruesca Condessa Jane Marie. Junto com ela, na imagem, Patsy Cecato, Ju Brondani, Márcia Ohlson, Larissa Maciel e Melissa Dornelles.
Despedida e reinício
Ainda sobre o espetáculo Pão com linguiça, comédia escrita por mim e dirigida pela Margarida, onde 21 alunos-atores contavam a história de duas famílias à mercê das intempéries, após o deslizamento de um morro. A peça foi convidada para o Caxias em Cena, em setembro, e a grande surpresa foi que, segundo a organização do festival, Pão com linguiça teve o maior público e foi o espetáculo que mais moviementou a cidade, superando peças do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Argentina e Uruguai. Essa imagem foi clicada durante a apresentação em Caxias, que teve uma ovação sensacional ao final, com aplausos entusiasmadíssimos. Pão com linguiça se despediu em Caxias do Sul, mas já estamos preparando um novo espetáculo, para estrear em 15 de dezembro. Desde agosto estamos ensaiando meu novo texto, Toda forma de amor, que reúne várias histórias divididas em doze cenas, onde os 25 alunos-atores viverão as diferentes nuances que o amor pode assumir: do amor apaixonado ao amor violento. Está ficando muito bonito. Eles estão fazendo um lindo trabalho, que emocionará a muitos.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Casamento silencioso
Co-produção entre Romênia, Luxemburgo e França, Casamento silencioso (Nunta muta, 2008) é falado em romeno e tem sua ação concentrada, predominantemente, em 1953, naquele país do leste europeu, nos dias que antecedem à morte do ditador comunista Josef Stálin, e no dia seguinte à sua morte. Durante várias décadas, após a Segunda Guerra Mundial, o planeta se dividiu entre países comunistas e capitalistas. Os comunistas, capitaneados pela poderosa União Soviética, criaram a famosa Cortina de Ferro, que isolava os países do leste europeu das ameaças do capitalismo, liderado pelos Estados Unidos. Aqueles países que seguiram as orientações comunistas (Romênia, Tchecoslováquia, Alemanha Oriental, etc.) deveriam obedecer aos líderes do Partido Comunista. Stálin, um dos maiores assassinos da História, passava por cima de quaisquer direitos humanos em nome do isolamento dos estados comunistas. A história do filme dirigido por Horatiu Malaele é simples: um casamento entre dois jovens moradores de uma pequena vila romena é marcado para o dia seguinte à morte de Stálin. O luto oficial internacional de 7 dias impediria a realização da cerimônia, sob pena de punições terríveis. Os alegres e barulhentos convidados do casamento resolvem burlar a proibição, realizando a festa de casamento totalmente em silêncio. A longa cena da comemoração à volta de uma mesa coberta de comidas e bebidas, em silêncio quase absoluto, é antológica. As referências à proibição de manifestações, à censura e à ditadura são inteligentíssimas. É uma cena incrivelmente engraçada, de rir às gargalhadas. O Brasil, que viveu um longo período de ditadura, também identifica-se naquelas imagens e ações. O filme tem um tom predominantemente cômico, com pitadas fantásticas (lembrando os filmes do sérvio Emir Kusturica, especialmente Underground- Mentiras de guerra), mas há momentos de grande comoção: aqueles que mostram a barbárie do exército russo. Um filme de uma cinematografia pouco conhecida no Brasil, que merece ser visto. A propósito: outros filmes romenos que apareceram por aqui nos últimos tempos, também excelentes: A leste de Bucareste (Prêmio Camera d'Or para melhor cineasta estreante no Festival de Cannes 2005) e 4 meses, 3 semanas e 2 dias (Palma de Ouro no Festival de Cannes 2007).
domingo, 27 de setembro de 2009
As bufa
O espetáculo As bufa, com as excelentes Simone de Dordi e Aline Marques, foi uma boa surpresa. As duas atrizes receberam o Prêmio Açorianos de Atriz Revelação, na última entrega dos troféus. Dirigida por Tatiana Cardoso, a peça traz à cena duas bufonas que ocupam um teatro e inventam jogos e encenações, onde criticam, literalmente, Deus e todo o mundo. As bufa não fica a dever em qualidade ao sucesso Gueto bufo, com Daniela Carmona e Cláudia Sachs, que desde 1999 encanta nossas plateias. Surgem em Porto Alegre, indubitavelmente, duas atrizes cheias de recursos e muito bem encaminhadas. Simone de Dordi (à esquerda, na foto), já recebeu o Prêmio Tibicuera de Melhor Atriz em 2006, por A canção de Assis, e atualmente está em cartaz com Herlói, o herói, do Cuidado que Mancha (que também tem no elenco Vinícius Petry e Luciane Olendzki) com direção de Raquel Grabauska.
sábado, 26 de setembro de 2009
Ano novo, vida nova
Em 2001 e 2002, o espetáculo Ano novo, vida nova, dirigido por Decio Antunes, cumpriu algumas temporadas em Porto Alegre, com enorme sucesso de público. Nas quatro temporadas que fizemos do espetáculo, não raro lotávamos o Teatro Renascença ou o São Pedro. O elenco era realmente de primeira: Carlos Cunha Filho, Deborah Finocchiaro, Elaine Regina, Evandro Soldatelli, Geórgia Reck, Jeffersonn Silveira, Lurdes Eloy, Marcelo Ádams e Naiara Harry. Uma cenografia bacaníssima do Félix Bressan (com pedaços de móveis pendurados e distorcidos/retorcidos) e os figurinos de Alexandre Magalhães e Silva davam um tempero especial ao texto de Vera Karam. Aliás, com esse texto, Vera Karam foi a vencedora do Concurso de Dramaturgia Qorpo Santo. Na foto aí de cima, Geórgia Reck, Deborah Finnochiaro, Naiara Harry e Lurdes Eloy "secando" o tango dançado por mim e Evandro Soldatelli, nesta que é a cena mais antológica do espetáculo, quase sempre aplaudida em cena aberta. Trago à memória esta montagem para adiantar que, de 19 a 22 de outubro, haverá uma homenagem aos 50 anos de nascimento de Vera Karam, falecida em 2003. A promoção é da Coordenação de Artes Cênicas da PMPA, e foi uma sugestão minha abraçada com muito carinho pelo Breno Ketzer, pela Lurdes Eloy e pela Laura Backes. Mais adiante divulgarei em detalhes a movimentada programação da homenagem, que tem como título Vera Karam: uma paixão no palco.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Uma noite especial
Acabei de chegar do Teatro do SESI, onde assisti à montagem dirigida por Bob Wilson do texto de Heiner Müller, Quartett. Ter Wilson em Porto Alegre é algo histórico. Ele é um dos diretores mais importantes da história do teatro, reconhecido por suas inovações na linguagem do teatro contemporâneo. Desde os anos 1970, quando criava espetáculos-evento que podiam durar dias, ou em obras que redefiniam o que seria a duração "adequada" de uma peça, Wilson é uma referência indispensável. Suas parcerias com o compositor Philip Glass (por exemplo, Einstein on the beach, de 1976) deram uma nova acepção para a junção entre teatro e música. A experimentação de Wilson estava ao nosso alcance, com todas aquelas informações que lemos em livros, à nossa frente.
Quartett é um espetáculo fragmentado, assim como a obra de Heiner Müller. Nesse sentido, não poderia ser mais fiel ao autor. As pausas, as cenas sem texto, a beleza plástica impressionante de suas imagens: tudo estava lá, como esperado. A iluminação do espetáculo, criada pelo próprio Wilson, é atordoante, é inacreditável. Wilson é perfeito nessa difícil arte.
Outra grande satisfação foi ver Isabelle Huppert. Acostumado a vê-la no cinema, foi fascinante vê-la ao vivo, absolutamente entregue à concepção do encenador. Absolutamente disponível para, inclusive, interpretar um sapo (ou qualquer que seja aquele animal).
Ao final do espetáculo, eu e alguns outros sortudos, tivemos a oportunidade de ver Isabelle Huppert fora de sua personagem, pertinho de nós. Uma espécie de coquetel foi oferecido, com a presença de Huppert. Com a maior expectativa aproximei-me dela, apertei sua mão, e fiquei por 15 minutos ouvindo sua voz, que respondia às perguntas de Luciano Alabarse, em clima totalmente informal. Fiquei admirando sua simplicidade: um tênis All Star vermelho, uma calça jeans, uma blusa de lã decotada e um cachecol protegendo a garganta. A pele, muito sardenta, totalmente sem maquiagem, exceto um batom vermelho-escuro muito intenso.
Os olhos de Huppert raramente fitavam os olhos dos que a cercavam. Ela permanecia com um sorriso ameno no rosto, mas com o olhar ao longe. Delicada, educada. Após milhares de experiências como essa, estar em eventos públicos já a deixou vacinada: a intimidade que ela aparentava era calculada, porém doce.
Foi uma noite memorável. Isabelle Huppert é uma atriz brilhante em cinema. Filmes como Oito mulheres e A professora de piano são clássicos modernos. Foi um privilégio estar junto a ela.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Braskem em cena
Após a cerimônia de premiação do 4º Prêmio Braskem em cena, foi oferecido um coquetel no anexo ao lado do teatro. Na foto, clicada pelo Rodrigo Fiatt, eu, Adriane Mottola, Cláudia de Bem, Inês Marocco e Rodrigo Monteiro.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Choderlos de Laclos por Heiner Müller
Finalizando a série de fotos de nossa montagem do Quartett, que Heiner Müller escreveu em 1981, adaptando e relendo o romance epistolar As relações perigosas, escrito pelo francês Choderlos de Laclos em 1782.
O dragão
A montagem do Amok Teatro, grupo carioca dirigido por Ana Teixeira, tem como protagonista o ator Stephane Brodt. Interpretando um palestino e um judeu, Brodt dá um show de técnica e emoção. A temática da beligerância entre palestinos e israelenses tem me interessado bastante, e um dos próximos projetos da Cia. de Teatro ao Quadrado terá esse conflito como base. Sobre a encenação do Amok, resta dizer que é muito bela e eficiente em sua denúncia do insano combate, que se arrasta há anos. A música executada ao vivo é quase sempre oportuna (exceto quando sublinha demais a ação, o que acontece algumas vezes). No entanto, a alta voltagem emocional alcançada pelos depoimentos de palestinos e israelenses, encarnados pelos atores, garante momentos de verdadeira comoção. Era possível ouvir a plateia fungando, emocionada pelas descrições das atrocidades. Do Amok guardo boas lembranças, principalmente por uma linda versão de Macbeth, totalmente orientalizada, originalíssima em sua plasticidade. Um grupo muito sério, que pesquisa a fundo para seus espetáculos. Fiquei ainda mais fã.
domingo, 20 de setembro de 2009
Rainhas[(s)]- Duas atrizes em busca de um coração
Georgette Fadel e Isabel Teixeira interpretam, respectivamente, as rainhas Elizabeth e Maria Stuart, no espetáculo dirigido por Cibele Forjaz. A partir da ideia concebida pelo dramaturgo alemão Friedrich Schiller, que no ano de 1800 escreveu a peça Maria Stuart, a dramaturgia, criada pelas atrizes em conjunto com a diretora, mistura esse encontro fictício entre as duas postulantes à coroa inglesa, no século XVI, e as agruras e particularidades da profissão de atriz.
Essa desconstrução de textos clássicos naõ é novidade em teatro. Aqui mesmo, em Porto Alegre, já tivemos a oportunidade de assistir às demolições de textos como Um bonde chamado desejo, de Tennessee Williams (chamada Endstation Amerika, do diretor alemão Frank Castorf), Gaivota- Tema para um conto curto e Ensaio.Hamlet (ambos da Cia. dos Atores, em versões para textos de Anton Tchekhov e William Shakespeare).
Em Rainhas[(s)] novamente há essa desconstrução, com um resultado por vezes irregular, mas que ganha seus melhores momentos justamente quando deixa-se de lado a obra de Schiller e investe-se na dramaturgia construída pelas atrizes e diretora: fala-se da vida dos atores e de suas dificuldades. Georgette Fadel é uma atriz singular: é inesquecível a Joana que construiu para Gota d'água, apresentada em Porto Alegre há poucos anos. Isabel Teixeira também é excelente (e me lembrou a nossa Sandra Loureiro, fisicamente, especialmente pelos lindos olhos). O jogo entre as duas funciona muito bem, e é muito bem ver duas grandes atrizes duelando. Um belo espetáculo.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
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