Marcelo Ádams
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Goela abaixo
terça-feira, 28 de julho de 2009
Fotos de Pão com linguiça
sábado, 25 de julho de 2009
Uma experiência
Começo do zero. E a partir daí, uma sucessão de números ultrapassam a barreira do abstrato. Os números vêm à mente como pequenos animais que, fixos em sua forma, imutáveis, como nove diferentes raças ou espécies que habitassem o mundo, construíssem um universo composto por nove mais um. E esse um, o zero, o sinal absoluto da totalidade, ou a inexistência absoluta da totalidade, comandasse com seu olho redondo, vazio, branco, vazado, as ações dos outros.
Um número principia a desabar do vazio. Um número magro, espetado, discreto, único, que leva sua voz a qualquer canto em que alguém queira ouvi-lo, que perturba a suavidade dos que dormitam em um espaço de nuvens. A boca do número se arregaça frente ao inexplorado. O primeiro que chega, o primeiro a trazer alguma informação.
Encerro a página sem saber exatamente o que fiz, o que fazer. Os olhos me doem, como areia que aderisse à superfície interna da pálpebra. Esfrego os olhos com os nós dos dedos. Os dedos estalam. Acendo um cigarro, à minha esquerda. Um cinzeiro com sete baganas, enredadas como pilares de um templo destruído, chamuscado pelo fogo. À volta, cinzas, acinzentadas, esbranquiçadas, enegrecidas.
Olho pela janela. Olho pela janela. Lá fora uma árvore, imóvel, velha, acinzentada, esbranquiçada, enegrecida. As folhas imóveis, sem brisa que as embale, penduram-se nas pontas dos galhos finos, ou habitam os longilíneos corpos que são como braços estendidos de um tronco enrugado.
Olho para dentro do quarto. Dentro do quarto o cinzeiro de vidro transparente, multifacetado, cremoso em sua solidez.
*
“Era preciso que se conversasse sobre isso, sobre as coisas que compõem a vida a dois. As coisas que tornam necessária a companhia de alguém não são muitas, muitos vivem sós, sem quem divida seus dias. No entanto, eu me sentia disposto a investir nisso. Em viver com alguém.”
Isso escrevi em uma noite fria, esperançoso, me projetando como personagem de uma história que eu próprio estivesse construindo. Facilmente apaguei as palavras com um selecionar e delete.
*
Começo do zero. Um dois três quatro e cinco apenas até cinco. Cinco parece ser a metade, parece ser o momento certo de parar. Parece que cinco encerra em si mesmo uma contenção, uma prudência interessantes. Até cinco chego, passando por quatro antes de mim, sem contar o zero, este que nada faz, apenas observa. A partir daqui o caminho parece ser mais árduo, ultrapassando a medida, o bom senso, o concreto. Atravessar a fronteira do conhecido, do estável, do confortável. A partir daqui, tudo é possível, tudo soa misterioso, as formas sinuosas se intensificam, vêem-se mais curvas que linhas retas. Não sei se sou capaz. O caminho, apesar de parecer tão longo quanto o já percorrido, é mais curto. De seis a nove são quatro. De um a cinco são cinco. E isso é perfeito. É irrevogável a afirmação de que de um a cinco são cinco, e nada poderá mudar isso. Não existem as frações, não existem casas depois da vírgula, existem homens inteiros em casas no fim de ruas. Ruas escuras, pouco iluminadas, que terminam em árvores acinzentadas, enegrecidas. Sem saída.
Meu olho esquerdo treme.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Uma cerimônia emocionante
Eu sou um apaixonado por dramaturgia, e um garimpador de novos e de clássicos autores. A partir de minha prática como autor de teatro, onde escrevo pelo menos duas peças por ano para as oficinas de montagem da Margarida Leoni Peixoto, minha mulher, intensifiquei minha pesquisa sobre a escritura cênica. É sempre um prazer descobrir textos que me dão aquela vontade de vê-los encenados. Minha última descoberta é um texto do francês Michel Azama, chamado Cruzadas, de 1988. Brilhante! Que vontade de ver aquelas palavras e situações sobre os palcos de Porto Alegre!
Mas o título deste post, apesar da homenagem feita ao Carlos Carvalho se refere às participações de Simone Rasslan na cerimônia do prêmio. Apenas com sua linda voz e um piano, que toca muito bem, Simone nos emocionou. É claro que a recente perda da parceira de palco e amiga Adriana Marques contribuiu. Mas é impressionante o talento de Simone.
Araci Esteves, a viúva de Carlos Carvalho, sentou ao meu lado e conversamos um pouco. Ela me dizia que, antes de morrer, Carlinhos tinha o sonho de criar um concurso e uma oficina de dramaturgia. Ele morreu antes de concretizar seu sonho, mas o concurso está aí, com 21 anos, mostrando força. A oficina ainda não aconteceu (e eu certamente seria um dos alunos), mas nunca é tarde para sonhar.
Crítica uruguaia de Platão dois em um
Jorge Arias
En escena. Luiz Paulo Vasconcellos como Sócrates y José Baldiserra como Aristófanes.
El último de sus periplos, la más lejana de sus órbitas alrededor de la tragedia griega, lo llevó a visitar a Platón, un enemigo de la tragedia. Es de notarse que "El banquete" se desarrolla en la casa de Agatón, a quien se homenajea por su triunfo en un certamen de tragedias; sus ideas sobre el amor son escrutadas y refutadas, muy urbanamente como corresponde a un huésped, por Sócrates.
Los diversos desarrollos de "El banquete" son suscitados por unas agudas palabras de un familiar de los diálogos de Platón, Fedro: dice que se ha investigado muy poco sobre Eros, una de las pocas divinidades que no reconoce antepasados y que suscita acciones gloriosas. Esta chispa enciende la mente de los contertulios, que padecen la resaca del beberaje de la noche anterior. Toman la palabra por turno; sus palabras ramifican el tema, lo enriquecen, dicen ideas nuevas; la verdad parece encontrarse en la totalidad de los puntos de vista, difícil síntesis que nos permitirá vislumbrar, pero sin comprenderlo del todo nunca, al amor, primitivo y misterioso.
Pero el proyecto original de Luciano de poner en escena "El banquete" venía con aliento y dinamismo. Evolucionó y se transformó, abarcando aún más temas, más tesis, más iluminaciones; y a este diálogo agregó su adaptación de "Gorgias", a su vez potenciado por fragmentos del "Hippias". En un paso más adelante, la versión de "El banquete", obra del escritor riograndense Donaldo Schuler, añade una helenista (Vika Schabbach) que explica o reescribe, a la luz de las ideas de Lacan, el texto de Platón y que a su vez es interrogada por un repórter; la helenista es erudita y un tanto ridícula; toda esta nebulosa cósmica en explosión contiene además música, a cargo de los "Sonoros Meliantes" (Moisés Lopes, Margarida Leoni Peixoto, Trasgo Rinaldi, Rafael Ferrari y Bruno Alcalde) y danza, a cargo de los "Plato's boys" ( Daniel Bacchieri, Eduardo Steinmetz, Fabricio Gorziza, Fernando Zugno, Rafael Mentges y Vinicius Meneguzzi).
La puesta en escena de "Gorgias" es sobria, sin mayor escenografía, con predominio del diálogo y la razón; Sócrates joven (Marcelo Adams) es nuestro conocido, el irónico razonador que pone a sus amigos en aprietos hasta que confiesan el error; la escenificación de "El banquete", donde Sócrates es interpretado por Luiz Paulo Vasconcellos, contiene una expresiva escenografía, como siempre en las producciones de Luciano a cargo de Sylvia Moreira, un variado vestuario (Ro Cortiñas), música y canciones; su atmósfera es un tanto báquica, signada por el alcohol. La conjunción de ambos diálogos, con sus dos distintos estilos, sugiere poderosamente las dos partes en que, según Aristófanes, fue dividido el andrógino por decisión de Zeus, dos partes que buscan con vehemencia su reencuentro y su fusión.
Lo que antecede es sólo una reseña, muy incompleta, de la riqueza de este "Platao dois por um", que relanza sobre un escenario las luminosas ideas del filósofo, refractadas por la pluma de Schuler (y Lacan) hacia la mente de los espectadores. Allí anida en nuestro recuerdo, y promete renacer en nosotros con giros propios. Es un espectáculo extenso, con un breve intervalo entre las dos partes; como todas las producciones de Luciano, esta obra es tan clara y comprensible como lujosa y atrayente en su presentación, variada en sus tiempos pero de ritmo sostenido y reconocible. "Platao dois por um", pide un público adulto, que preste indeclinable atención; con seguridad una segunda y aún una tercera visita a estos jardines del filósofo permitirían descubrir más y mejor otras alusiones y otros significados.
Todos los actores merecen los mejores elogios, pero vimos destacarse las labores del joven Marcelo Adams, como el Sócrates de "Gorgias" que responde magistralmente a la idea del lector común sobre el empedernido razonador, pero que también interpreta al apasionado y ebrio Alcibíades en "El banquete" donde Sócrates es actuado por Luiz Paulo Vasconcellos, un Sócrates tal vez más sabio, más un hombre sensato que filósofo razonador. También debemos mencionar a Lutti Pereira como Eutidemo y Agatón y, al fin pero no la menor, Sandra Dani (en foto superior), que además mostró su competencia en el canto, como Diotima.
PLATAO DOIS EM UM ("GORGIAS, O DISCURSO SOBRE LA RETORICA Y "O BANQUETE"), adaptación de Donaldo Schuler. Con Marcelo Adams, Marcos Contreras, Lutti Pereira, Alexandre Magalhães e Silva, Fernando Zugno, Rafael Mentges, Fabrizio Gorziza, Vinicius Meneguzzi, Daniel Bacchieri, Eduardo Steinmetz, Lê Souza, Rodrigo Fiatt, Luiz Paulo Vasconcellos, Vika Schabbach, José Baldiserra, Carlos Cunha filho, Mauro Soares y Sandra Dani. "Plato's boys": Daniel Bacchieri, Eduardo Steinmetz, Fabrizio Gorziza, Fernando Zugno, Rafael Mentges y Vinicius Meneguzzi. "Sonoros Meliantes": Moysés Lopes, Margarida Leoni Peixoto, Rafael Ferrari y Bruno Alcalde. Escenografía de Sylvia Moreira, vestuario de Ro Cortinhas, iluminación de Claudia De Bem y Maurício Moura, dirección musical de Moysés Lopes, banda sonora y dirección de Luciano Alabarse. Teatro São Pedro, Porto Alegre.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Mais uma Sacra folia

Hoje fizemos mais uma apresentação do espetáculo teatral de rua Sacra folia, da Cia. Stravaganza. Apesar de eu não fazer parte oficialmente do grupo, liderado pela Adriane Mottola, a quem tanto admiro, fui convidado para este delicioso espetáculo, e desde 2006 temos percorrido várias cidades do RS. Desta vez apresentamos na Feevale, em Novo Hamburgo, em espaço de palco italiano, o que acontece eventualmente. Nas imagens acima, eu, encarnando o anjo Gabriel, e acompanhado por Carlos Alexandre.quarta-feira, 15 de julho de 2009
Duas vezes em Gramado
sábado, 11 de julho de 2009
Molière pelos pampas!
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Rir é o melhor negócio?
domingo, 5 de julho de 2009
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Primeiro as damas
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Pão com linguiça
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Desejo e perigo
segunda-feira, 29 de junho de 2009
A partida
O filme vencedor do último Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, A partida, está em cartaz em Porto Alegre, apenas no Guion Center. Produção japonesa, dirigida por Yojiro Takita, trata do choque e do fascínio sofrido por um violencelista que, ao ver a orquestra em que tocava ser dissolvida, tem que procurar um novo emprego, e acaba como funcionário de uma empresa especializada em "preparar" os cadáveres para o velório. Preparar, neste caso, significa lavar o corpo, vesti-lo com um tipo de quimono e maquiá-lo, para que o falecido pareça-se com o que era em vida, sem as marcas enfeiadoras da morte. Para quem assitiu a série norte-americana A sete palmos, já lançada em dvd no Brasil, em cinco temporadas, sabe que esse convívio diário com a morte pode render excelentes filmes. A partida é, também, um belo filme, na maior parte do tempo. Afora as reflexões sobre a morte, coisa que todos nós passaremos, a riqueza com que as relações entre as personagens se estabelecem é o maior destaque. Apenas alguns momentos em que o protagonista é apresentado com um tipo de humor excessivamente clownwsco destoam do restante. O humor é, sim, parte integrante do ritual da morte (nos velórios, muitas vezes, se ri muito), mas o filme tem seus momentos mais belos quando torna-se mais intimista, seja deixando transbordar a dor em lágrimas contidas, seja quando encontros inesperados acontecem entre as personagens. E, como acontece muito frequentemente nos filmes japoneses, o filme é muito bonito visualmente, com seus enquadramentos precisos, a luz e a cor do filme, a música. Quem puder, aproveite para assistir, porque são raros os filmes japoneses que chegam aos nossos cinemas.
sábado, 27 de junho de 2009
Maicons, Maicos e Thriller
terça-feira, 23 de junho de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
Vila Chocolatão
sábado, 20 de junho de 2009
"Alabarse não é McG"

Na foto acima, Margarida Leoni Peixoto e Rafael Ferrari, em cena de O banquete. Foto de Júlio Appel.
Agora, me perdoem a citação, que acredito ser necessária. Hans Robert Jauss, um teórico alemão que, principalmente nos anos 1970 trabalhou com a teoria da recepção a partir de Husserl, disseminou a expressão horizonte de expectativas. Quando temos contato com uma obra de arte, o nosso horizonte de expectativas é limitado pelo conhecimento prévio que temos sobre o tema e a forma dessa obra. A compreensão advinda dessa relação será diferente para cada pessoa, porque cada um de nós possui uma "bagagem cultural" diferente. Se, hipoteticamente, o flanelinha da sua rua ler Ulisses, de James Joyce, ele conseguirá apreender uma parcela bem pequena da complexidade que tem esse romance. Por outro lado, se alguém que se preparou com outras leituras para, aí então, chegar em Joyce, fruirá a obra e identificará um número muito maior de camadas de significado. Talvez o flanelinha se divirta com a "historinha" criada por Joyce, do perambular de Leopold Bloom pelas ruas de Dublin. Outro leitor, se deliciará com as citações e referências à cultura ocidental que encharcam as páginas de Ulisses.
Alabarse não é McG, porque Alabarse leu Platão em profundidade, e entregou um trabalho feito com todo o empenho artístico possível. McG não leu Platão (eu acho), mas viu com atenção O exterminador do futuro 1, 2 e 3, para entregar a sua requentada versão para o original do brilhante James Cameron, chamada de O exterminador do futuro- A salvação. Alabarse é um artista, McG é um operário da indústria do entretenimento. Alguns preferem uma obra de arte, outros preferem pipoca em película.
Alcibíades e Erixímaco
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Gaúchos no Porto Alegre em Cena
Mas vamos aos outros nove selecionados:
Marleni, O bairro, Teresa e o aquário, Mulheres fortes em corpos frágeis, A arca de Noé, Desvario, A vida sexual dos macacos, Ditos e malditos e O sobrado.
Parabéns a todos os espetáculos!





