Marcelo Ádams

Marcelo Ádams

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

TEATRO EM PORTO ALEGRE: parte 4- AS ATRIZES

MELHOR ATRIZ
Atrizes, mulheres talentosas que entregaram seus corpos e emoções às plateias que tiveram a felicidade de assisti-las. Intérpretes inesquecíveis, personagens perenes que habitam nossas memórias e retornam, fugazmente, em flashes brilhantes, que confirmam a beleza de suas atuações. Essas foram as atrizes premiadas com o Troféu Açorianos de Melhor Atriz, a partir de 1977:

 MARLISE SAUERESSIG
Melhor Atriz em 1977, 
por MARLY EMBOABA

Marlise Saueressig juntou-se à equipe do Teatro de Arena no início dos anos 1970, tornando-se, além de companheira do fundador do teatro, Jairo de Andrade, a atriz principal da maioria dos espetáculos que lá seriam encenados até o encerramento das atividades, no início dos anos 1980. Dentre os espetáculos que integrou o elenco estão À flor da pele (1973), A dama de copas e o rei de cubas (1974), Corpo a corpo (1974), O terrível, triste e trágico encontro de Fátima Maria da Glória com o encantado, desencantado, acabado sonho americano (1976), Caminho de volta (1977) e Jornada de um imbecil até o entendimento (1978). Atuou também no cinema, recebendo o Kikito de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Gramado, pelo filme Os Mucker (1979).

MARLISE SAUERESSIG
em Marly Emboaba (na foto, com Jairo de Andrade)


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IDA CELINA
Melhor Atriz em 
1978, por ABRE A JANELA E DEIXA ENTRAR O AR PURO E O SOL DA MANHÃ
2002, por ALMOÇO NA CASA DO SR. LUDWIG

Ida Celina é uma das grandes atrizes gaúchas, em uma carreira que ultrapassa os 45 anos de dedicação ao teatro. Entre os muitos espetáculos dos quais tomou parte, podem ser citados Dona Rosita, a solteira (1967), Entre quatro paredes (1968), Os fuzis da Senhora Carrar (1968), A moreninha (1970), Teatro, variações sobre o tema (1972), A ópera dos três vinténs (1973), Jogos na hora da sesta (1977), No Natal a gente vem te buscar (1983), O casamento do pequeno burguês (1984), A maldição do Vale Negro (1986), Ana Stein compra uma calça e vem jantar comigo (1992), Mala noche (1993), Um homem é um homem (1994), Maldito coração (Me alegra que tu sofras) (1996), King Kong Palace- O exílio de Tarzan (1996), Casca de ferida (2001), Beckett na veia (2004), Heldenplatz (2005), Hamlet (2006), Medeia (2007), Édipo (2008), MarLeni (2009), Bodas de sangue (2010), Ifigênia em Áulis + Agamenon (2011), A vertigem dos animais antes do abate (2014) e Língua mãe. Mameloschn (2015). 

IDA CELINA

em Abre a janela e deixa entrar o ar puro e o sol da manhã


IDA CELINA
em Almoço na casa do Sr. Ludwig (de pé, junto de Sandra Dani e Luiz Paulo Vasconcellos)


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 SUZANA SALDANHA
Melhor Atriz em 1979, 
por A COMÉDIA DOS AMANTES

Suzana Saldanha iniciou sua carreira de atriz ainda como aluna do Departamento de Arte Dramática da UFRGS. Posteriormente, durante os anos 1970, comporia o elenco do Grupo de Teatro Província. Foi apresentadora de TV e professora da UFRJ na área de teatro. Alguns de seus espetáculos como atriz em Porto Alegre são A ópera dos três vinténs (1969), O baile dos ladrões (1971), Tendências do teatro contemporâneo (1971), Sonho de uma noite de verão (1971), Era uma vez uma família muito família...Era uma vez uma família que disse não (1972), Essa noite arranque a máscara da face e improvise (1973), Fuenteovejuna (1973), Brecht em câmera (1974), O noviço (1975), Sarau das 9 às 11 (1976), Pequenas histórias do bicho homem (1978), Love, love, love (1981) e Eu (2015).


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SANDRA DANI
Melhor Atriz em
1980, por SALÃO GRENÁ
1993, por DESCRIÇÃO DE UMA IMAGEM
1998, por COMO UM SOL NO FUNDO DO POÇO
2006, por CALAMIDADE
2007, por MEDEIA

Sandra Dani é uma das mais importantes artistas de nosso Estado, e há mais de 40 anos tem atuado no teatro porto alegrense, com incursões pelo cinema e pela TV. Entre seus muitos trabalhos em teatro, podem ser citados Hamlet (1972), Quem roubou meu Anabela? (1972), A ópera dos três vinténs (1973), Boneca Teresa- Canção de amor e amor e morte de Gelsi e Valdinete (1975), Sexta-feira das paixões (1975), The Bakkay (1983, nos EUA), Apareceu a Margarida (1983), A gaivota (1990), Alpes em chamas (1992), Casca de ferida ou Vamos brincar de gente grande? (2001), Beckett na veia (2003), Platão dois em um (2009), Bodas de sangue (2010), Oh, os belos dias (2013, em São Paulo), GPS Gaza (2014), O lugar escuro (2016), Pequeno trabalho para velhos palhaços (2018), Inimigos na casa de bonecas (2018) e Esperando Godot (2023).

SANDRA DANI
em Salão grená 

SANDRA DANI
em Descrição de uma imagem

SANDRA DANI
em Como um sol no fundo do poço

SANDRA DANI
em Calamidade

SANDRA DANI
em Medeia


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PILLY CALVIN
Melhor Atriz em 1981,
por LOVE, LOVE, LOVE

Nascida em Valência, na Espanha, Pilly Calvin veio ainda jovem para o Brasil, onde formou-se em Biologia (profissão nunca exercida). Após descobrir-se apaixonada pelo teatro, iniciou sua carreira como atriz e professora na área. Entre os espetáculos que participou estão Banana (1980), O que seria do vermelho se não fosse o azul? (1981), A verdadeira história de Édipo rei (1985), A sétima lua (1987), O marido era o culpado (1989), Beija-me a bouca, amor (1990), Os saltimbancos (1991), Enquanto os anjos tomam Coca Cola (2001) e Transe (2013). 


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ÂNGELA GONZAGA
Melhor Atriz em 1982,
por OS REIS VAGABUNDOS

Ângela Gonzaga é professora universitária, diretora teatral e preparadora de elenco para cinema, estando um pouco afastada dos palcos como atriz. Entre os espetáculos em que atuou estão Quem manda na banda (1981), Parentes entre parênteses (1987) e Peer Gynt, o imperador de si mesmo (1987).

ÂNGELA GONZAGA
em Os reis vagabundos (junto de Sérgio Lulkin)


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FABIANE FOGLIATTO
Melhor Atriz em 1983,
por SEGUNDO TEMPO


Fabiane Fogliatto deixou de lado sua carreira de atriz, e dedicou-se à docência na área do teatro, trabalhando na prefeitura de Porto Alegre.


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ARACI ESTEVES
Melhor Atriz em 1984,
por CHAMPANHE PARA MÃE TUDA

Araci Esteves é uma das mais prestigiadas atrizes gáuchas, com uma longa carreira no teatro, cinema e TV, que já dura 50 anos. Uma das fundadoras do GTI- Grupo de Teatro Independente, em 1965, e que daria origem ao Teatro de Arena, junto com Jairo de Andrade e Alba Rosa, dois anos depois. Atuou em inúmeros espetáculos teatrais, entre eles Vereda da Salvação (1964), Soraya Posto 2 (1966), Toda nudez será castigada (1967), A serpente (1970, no RJ), Sexta-feira das paixões (1975), Boneca Teresa ou Canção de amor e morte de Gelsi e Valdinete (1975), Happy end (1981), O rei da vela (1982), Que se passa, Che? (1982), A gaivota (1989), Um inimigo do povo (1994), Um homem é um homem (1994), Maria Degolada (2001), Beckett na veia (2003) e MarLeni (2009). No cinema, seu papel de maior de destaque é como a protagonista do filme Anahy de las missiones (1997), dirigido por Sérgio Silva.

ARACI ESTEVES
em Champanhe para Mãe Tuda


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CIÇA RECKZIEGEL
Melhor Atriz em 1985,
por A LIÇÃO

Ciça Reckziegel é professora do Departamento de Arte Dramática da UFRGS, e integra a UTA- Usina do Trabalho do Ator desde 1996. Alguns dos espetáculos nos quais participou como atriz são: Parentes entre parênteses (1986), Império da cobiça (1987), Hamletmachine (1987), Lisístrata (1988), A mulher só (1989), A maldição do castelo (1992), Mala noche (1993), O extraordinário teatro de curiosidades da família Marks (1996), O ronco do bugio (1996), Mundéu: o segredo da noite (1998), A mulher que comeu o mundo (2006), 5 tempos para a morte (2010), Dança do tempo (2015), Lembranças num lago dourado (2018) e Zaze-Zaze, uma festa para Vavó (2023). Em cinema, atuou em um dos mais premiados curta metragens da história do cinema brasileiro, Ilha das flores (1989), de Jorge Furtado.

CIÇA RECKZIEGEL
em A lição (à frente de Zé Adão Barbosa e Ísis Medeiros)


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ILANA KAPLAN
Melhor Atriz em 1986,
por PASSAGEM PARA JAVA

Ilana Kaplan vive em São Paulo desde 1995, onde atua em teatro, cinema e TV. Antes de sua mudança, no entanto, integrou o elenco de alguns grandes sucessos de público em Porto Alegre: Lisístrata (1988), Partituras (1990) e Buffet Glória (1991). Após sair de Porto Alegre, atuou em espetáculos como Don Juan (1995), Arsênico e alfazema (1996), O burguês ridículo (1997), Terça insana (2004), Ensina-me a viver (2007) e Baixa terapia (2017).


ILANA KAPLAN
em Passagem para Java (junto de Verlaine Pretto)


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VERLAINE PRETTO
Melhor Atriz em 1986,
por PASSAGEM PARA JAVA


Afastada dos palcos há vários anos, e vivendo em São Paulo, Verlaine Pretto foi assídua na cena de Porto Alegre nos anos 1980. Entre os espetáculos em que atuou estão No vale dos pimentões (1983), Tem um albino do meu lado (1983), Chapéu vermelhinho (1984), Os Pedrocks (1985) e Não aos desconhecidos (1985).

VERLAINE PRETTO
em Passagem para Java (junto de Ilana Kaplan)


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ROSÂNGELA BATISTELLA
Melhor Atriz em 1987,
por UM BEIJO, UM ABRAÇO, UM APERTO DE MÃO

Presença constante nos palcos de Porto Alegre nos anos 1980, Rosângela Batistella tem atuado menos nos últimos anos. Fez parte do elenco de Marat/Sade (1982), Reunião de família (1984), Senhora dos afogados (1985), Mulher no palco (1985), O balcão (1986), A gaivota (1989), Essência de macaco (1989), Uma graça de traça (1990), George Dandan, o marido enganado (1991), Hotel Atlântico (1992) e Ifigênia em Áulis + Agamenon (2011).

Rosângela Batistella
em Um beijo, um abraço, um aperto de mão


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MIRNA SPRITZER
Melhor Atriz em 1988,
por MAHAGONNY

Mirna Spritzer é professora do Departamento de Arte Dramática da UFRGS, e desenvolve uma carreira de atriz em teatro, cinema e TV. Entre seus espetáculos estão Um edifício chamado 200 (1977), Frankie, Frankie, Frankenstein (1979), Salão grená (1980), Uni, duni, tê (1980), Happy end (1981), O rei da vela (1982), No Natal a gente vem te buscar (1983), O casamento do pequeno burguês (1984), A aurora da minha vida (1985), A maldição do Vale Negro (1986), Onde estão os meus óculos? (1990), Um homem é um homem (1994), Noite Brecht (1998), Programa de família (2000), Babel Genet (2008), Stand up drama (2013), Cidade proibida (2013), Língua mãe. Mameloschn (2015), Expresso Paraíso (2019) e Terra sem mapa (2023).

MIRNA SPRITZER
em Mahagonny


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LURDES ELOY
Melhor Atriz em 1989,
por BELLA CIAO

Lurdes Eloy atua, há mais de 45 anos, nos palcos de Porto Alegre. Premiada atriz de teatro e teledramaturgia, conta com grandes espetáculos em seu currículo, dentre os quais estão A ópera dos três vinténs (1969), Vestido de noiva (1973), A viagem de André (1973), Jota Vilão na terra dos girassóis (1975), Lisarb, ou multi antes pelo contrário (1980), Apocalipse, a peça (1981), Que se passa, chê? (1982), Nem peixe nem carne ou muito antes pelo contrário (1983), Um beijo, um abraço, um aperto de mão (1987), Nossa cidade (1991), Ardente paciência- Uma carta para Neruda (1995), King Kong Palace- O exílio de Tarzan (1996), Fulaninha e Dona Coisa (1999), Ano novo, vida nova (2001), Medeia (2007), Bodas de sangue (2010), Ifigênia em Áulis + Agamenon (2011), A mulher sem pecado (2011) e Um dia assassinaram minha memória (2014).

LURDES ELOY
em Bella ciao (junto de Carlos Cunha Filho)


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GISELE LERY
Melhor atriz em 1990,
por MISTÉRIOS DO SEXO


Gisele Lery (que antes assinava Gisele Peroni) participou como atriz de espetáculos como A peça do Tilinho (1990), Medeia (1992), Arlequim, servidor de dois patrões (1993), Família Monstro (1994), Jacobina- Uma balada para o Cristo mulher (1995) e Paisagem marinha (2022). 

GISELE PERONI
em Mistérios do sexo (junto de Henri Iunes)


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 LÍGIA RIGO
Melhor Atriz em
1991, por MACÁRIO, O AFORTUNADO
1997, por A BOTA E SUA MEIA
2000, por MEHRDA, PRESIDENTAS!

Afastada dos palcos há alguns anos, Lígia Rigo é uma das atrizes mais premiadas de nosso teatro adulto e infantil, em uma carreira desenvolvida principalmente nos anos 1980 e 1990, junto à Cia Face & Carretos. Entre os vários espetáculos em que atuou estão Todos ao mar (1984), Lembras de La Strada? (1985), O assassinato do crítico teatral (uma comédia de maus costumes) (1985), Bento Gonçalves- General dos Farrapos: O pequeno general (1985), O ferreiro e a morte (1987), A ópera do invasor (1988), Escola com palhaços (1992), Uma chance para Feuerbach (1993), Sapolândia (1993), Homem branco e pele vermelha (1994), Peter Pan (1994), Esconderijos do tempo (1996), O boi dos chifres de ouro (1998), Maria Degolada (2001) e Pé de sapato (2005).

LÍGIA RIGO 
em Macário, o afortunado

LÍGIA RIGO
em A bota e sua meia


LÍGIA RIGO
em Mehrda, presidentas!


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IRENE BRIETZKE
Melhor Atriz em 1992,
por ANA STEIN COMPRA UMA CALÇA E VEM JANTAR COMIGO

Irene Brietzke é conhecida principalmente como encenadora de memoráveis montagens de peças de Bertolt Brecht, nos anos 1980 e 1990, mas também tem em seu currículo uma série de espetáculos em que atuou como atriz. Dentre eles estão Quatro pessoas passam enquanto as lentilhas cozinham (1966), Dona Rosita, a solteira (1967), A ópera dos três vinténs (1969), Casa de Orates (1970), Agamenon (1971), Quem roubou meu Anabela? (1972), Rodolfo Valentino (1975), Sexta-feira das paixões (1975), Salão grená (1980), A aurora da minha vida (1985), Onde estão os meus óculos? (1990) e New York, New York (1995).

IRENE BRIETZKE
em Ana Stein compra uma calça e vem jantar comigo
(à direita na foto, antecedida por Ida Celina e Sérgio Silva)


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DEBORAH FINOCCHIARO
Melhor Atriz em 1994,
por HAMLETO

Deborah Finocchiaro tem uma sólida carreira como atriz, trabalhando, nos últimos anos, principalmente com solos que viajam por todo o interior do Estado e pelo Brasil. Entre os espetáculos em que atuou estão Morangos mofados (1985), Gaspar Hauser (1986), O patinho feio (1987), Risco, Arisco e Corisco (1987), Fulano (1991), Arca de Noé (1991), Teatro pra mim é grego (1992), Pois é, vizinha... (1993), Os crimes da Rua do Arvoredo (1999), Hobbárcu (2000), Ano novo, vida nova (2001), A fada que tinha ideias (2005), O macaco e a velha (2005), Sobre anjos e grilos- O universo de Mario Quintana (2006), Um certo capitão Verissimo (2012), GPS Gaza (2014), Caio do céu (2017) e Diário secreto de uma secretária bilíngue (2019).


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LU ADAMS
Melhor Atriz em 1995,
por O PARTURIÃO

Lu Adams atuou em vários espetáculos de teatro adulto e infantil, além de ter trabalhado como apresentadora de TV. Alguns de seus espetáculos são O santo inquérito (1987), A serpente (1988), Flicts (1989), O jogo da velha (1989), Escondida na calcinha (1990), A dama e os vagabundos (1992), Pequeno príncipe em busca de um amigo (1994), Sopa de palhaços (1997), Pão e circo- Circo Girassol (2000), Trem bala (2000), Almas gêmeas (2003) e 5º andar, por favor! (2012).

LU ADAMS
em O parturião (à esquerda, junto de Adriano Basegio)


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NAIARA HARRY
Melhor Atriz em 1996,
por 1941

Naiara Harry divide sua carreira entre trabalhos em teatro, cinema e TV. Alguns dos seus trabalhos em palco são O rei da vela (1980), Marat/Sade (1982), Pic nic (1983), O pulo do gato (1985), Nietzsche no Paraguai (1986), Dom Quixote e Dulcineia (1987), As núpcias de Teodora- 1874 (2000), Ano novo, vida nova (2001), A ronda do lobo- 1826 (2002), Mulheres insones (2006), Mães & sogras (2010), Cabaré do Ivo (2011), Um dia assassinaram minha memória (2014) e O jantar com a Senhora Beckett (2020).

NAIARA HARRY
em 1941 (à esquerda, junto de Kiko Medeiros e Catulo Parra)


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DANIELA CARMONA
Melhor Atriz em 1999,
por GUETO BUFO

Daniela Carmona é, além de atriz e encenadora, professora de teatro, sendo uma das fundadoras do TEPA, uma das escolas de teatro mais importantes de Porto Alegre. Alguns dos espetáculos em que atuou são Antônio Chimango (1985), Os náufragos (1992), Inimigo do povo (1993), Larvárias (2006), Clownssicos (2007) e O sonho de uma noite de verão (2008).

DANIELA CARMONA
em Gueto bufo


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CELINA ALCÂNTARA
Melhor Atriz em 
2001, por NOS MESES DA CORTICEIRA FLORIR
2018, por A MULHER ARRASTADA

Celina Alcântara é professora do Departamento de Arte Dramática da UFRGS, e integra a UTA- Usina do Trabalho do Ator. Espetáculos em que atuou: A serpente (1988), Aprendizes do império (1989), Amores e facadas (1991), Lelé da cuca (1991), Claxon (1993), O mestre ausente (1994), O ronco do bugio (1996), Mundéu: o segredo da noite (1998), A mulher que comeu o mundo (2006), 5 tempos para a morte (2010), B... em cadeira de rodas (2013), Dança do tempo (2015) e Zaze-Zaze, uma festa para Vavó (2023).

CELINA ALCÂNTARA
 em Nos meses da corticeira florir (sentada, junto de Dedy Ricardo)

CELINA ALCÂNTARA
 em A mulher arrastada


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RENATA DE LÉLIS
Melhor Atriz em 2003,
por SALOMÉ DECAPITADA

Atriz e bailarina, Renata de Lélis começou muito cedo, aos 14 anos, a atuar nos espetáculos da Cia Face & Carretos, dirigida pelo pai, Camilo de Lélis. Além de teatro, tem incursões em cinema e teledramaturgia. Alguns de seus espetáculos: Sapolândia (1993), Peter Pan (1994), O estranho Senhor Paulo (1996), O fantasminha da ópera (1996), O boi dos chifres de ouro (1998), Os crimes da Rua do Arvoredo (1999), Mehrda, presidentas! (2000), Mulher no palco (2001) Travessias (2004), Sonho de uma noite de verão (2006), Dores em Allegro (2010), Milkshakespeare (2010), Vestido de noiva (2012-RJ), Tão longe, tão perto, tão perto, TÃO... (2012), Landell de Moura- O incrível padre inventor (2012), O monstro de olhos verdes, ou Por quem morrem as pombas? (2013), Fassbinder- O pior tirano é o amor (2014), As quatro direções do céu (2015) e Habitantes d'Ela (2016).

RENATA DE LÉLIS
em Salomé decapitada


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ARLETE CUNHA
Melhor Atriz em 
2004, por HILDA HILST IN CLAUSTRO
2022, por GABINETE DE CURIOSIDADES
Arlete Cunha iniciou sua carreira na Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, e após sua saída do grupo, trabalhou em diferentes coletivos de teatro de Porto Alegre. Entre seus espetáculos estão A visita do presidenciável ou Os morcegos estão comendo os abacates maduros (1984), Teon (1985), Fim de partida (1986), Ostal (1987), A exceção e a regra (1987), A história do homem que lutou sem conhecer seu grande inimigo (1988), Antígona- Ritos de paixão e morte (1990), Dança da conquista (1990), Deus ajuda os bão (1991), Se não tem pão, comam bolo! (1993), O ronco do bugio (1996), Muito cacique para pouco índio (1996), Espancando a empregada (1997), O barão nas árvores (1998), Pra cima com a viga, moçada (1998), Os fuzis da Senhora Carrar (1998), Doroteia (1999), Deus e o diabo na terra de Miséria (1999), Hobbárcu (2000), Alice Maravilha (2000), Antígona (2004), Heldenplatz (2005), Mamãe foi pro Alaska (2006), Clownssicos (2007), O sonho de uma noite de verão (2008), Pequeno trabalho para velhos palhaços (2018), Esperando Godot (2023) e Raiz amarga- Por que esta noite é diferente de todas as outras? (2023). 

ARLETE CUNHA 
em Gabinete de curiosidades


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SANDRA POSSANI
Melhor Atriz em
2005, por DR. QS- QURIOZAS QOMÉDIAS
2008, por A MEGERA DOMADA

Sandra Possani iniciou como atriz na Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, atuando também junto aos grupos Depósito de teatro e Cia Rústica. Atualmente vive em Recife (PE), onde desenvolve uma premiada carreira na cena pernambucana. Entre seus espetáculos estão Ostal (1987), Antígona- Ritos de paixão e morte (1990), Dança da conquista (1990), Deus ajuda os bão (1991), Se não tem pão, comam bolo! (1993), Os três caminhos percorridos por Honório dos anjos e dos diabos (1993), Missa para atores e público sobre a paixão e o nascimento do Dr. Fausto de acordo com o espírito de nosso tempo (1994), Independência ou morte (1995), O barão nas árvores (1998), O beijo no asfalto (1998), Boca de ouro (1998), Risco, Arisco e Corisco (1999), O pagador de promessas (2000), A farsa do Panelada (2000), Auto da Compadecida (2001) e Aquelas duas (2003).

SANDRA POSSANI
em Dr. QS- Quriozas qomédias (à direita na foto, olhando para Plínio Marcos Rodrigues)

SANDRA POSSANI
em A megera domada (junto de Heinz Limaverde)


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LIANE VENTURELLA
Melhor Atriz em 2006,
por CALAMIDADE

Uma das mais completas atrizes gaúchas, Liane Venturella, além de teatro, atua em cinema e teledramaturgia. Entre espetáculos para público infantil e adultos, alguns de seus trabalhos são: O musical da menina do chapeuzinho vermelho (1986), Aladim (1987), Complexo de Alice (1988), Rapunzel (1988), Zumbioverdose (1989), Estórias da carochinha (1990), Decameron (1993), O rei nunca riu (1993), O pastelão (1995), Arlecchino, servidor de dois patrões (1997), Uma professora muito maluquinha (1997), O barão nas árvores (1998), O beijo no asfalto (1998), Doroteia (1999), Risco, Arisco e Corisco (1999), A farsa do Panelada (2000), Auto da Compadecida (2001), Toda nudez será castigada (2001), Aquelas duas (2003), DentroFora (2009), O estranho cavaleiro (2013), Pequenas violências silenciosas e cotidianas (2013), A vida dele (2014), Movimentos sobre rodas paradas (2016), Inimigos na casa de bonecas (2018), Palácio do fim (2020), Espera (2023) e Instinto (2023).

LIANE VENTURELLA
em Calamidade (à esquerda, junto de Sandra Dani)


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TÂNIA FARIAS
Melhor Atriz em
2009, por O AMARGO SANTO DA PURIFICAÇÃO
2013, por MEDEIA VOZES

Tânia Farias é um dos pilares do Ói Nóis Aqui Traveiz, um dos mais duradouros coletivos de teatro do Brasil. Após ter entrado no grupo, nos anos 1990, tornou-se uma das personalidades mais emblemáticas de nossas artes cênicas, sendo destacável, além de seu grande talento, sua luta pela arte como prioridade em um país pouco receptivo a ela. Espetáculos: A roupa nova do rei (1994), A heroína de Pindaíba (1996), A morte e a donzela (1997), Hamlet Máquina (1999), A saga de Canudos (2000), Aos que virão depois de nós- Kassandra in process (2002), A missão (Lembrança de uma revolução) (2006), Viúvas- Performance sobre a ausência (2011) e Caliban- A tempestade de Augusto Boal (2017).

TÂNIA FARIAS
em O amargo santo da purificação

TÂNIA FARIAS
em Medeia vozes


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VANISE CARNEIRO
Melhor Atriz em 2010,
por NOVE MENTIRAS SOBRE A VERDADE

Vanise Carneiro atua em teatro e cinema, principalmente como atriz, com algumas incursões pela direção teatral. Espetáculos: Besame mucho (1992), Joãozinho e a bicicleta (1992), Hamleto (1994), O bandido e o cantador (1996), Abajur lilás (1997), Biba, Dudu, Molenga e Chorona (1998), O beijo no asfalto (1998), Ella (1998), Toda nudez será castigada (2001), Macbeth- Herói bandido (2004), Pandolfo no reino da Bestolândia (2005) e Crucial: dois um (2007).

VANISE CARNEIRO
em Nove mentiras sobre a verdade


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VANESSA GARCIA
Melhor Atriz em 2011,
por A MULHER SEM PECADO

Vanessa Garcia é principalmente bailarina, com algumas incursões como atriz. Em teatro, atuou em O despertar da primavera (2010). Atualmente mora no Rio de Janeiro.

VANESSA GARCIA
em A mulher sem pecado (junto de Luciano Mallmann)


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PATRÍCIA SOSO
Melhor Atriz em 2012,
por CARA A TAPA

Patrícia Soso atualmente vive em São Paulo, e tem em seu currículo espetáculo teatrais também na Itália, onde estudou por um período. Alguns de seus trabalhos são: Manual prático da mulher moderna (2002), O urso (2003), No ritmo do amor (2005), Decote (2008), Bailei na curva (2008), Parasitas (2010), Fora do ar (2010) e A cãofusão- Uma aventura legal pra cachorro (2011). Atualmente mora em Portugal.

PATRÍCIA SOSO
em Cara a tapa (junto de Vinícius Meneguzzi)


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GABRIELA POESTER
Melhor Atriz em 2014,
por A COISA NO MAR

Jovem atriz, que tem em seu currículo alguns espetáculos criados dentro do Departamento de Arte Dramática da UFRGS. Atuou ainda em Crime Woyzeck (2015) e O lugar escuro (2016).

GABRIELA POESTER
em A coisa no mar 


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GABRIELA GRECO
Melhor Atriz em 2015,
por O MAL ENTENDIDO

Professora da rede municipal de ensino de Porto Alegre, graduada em Teatro: Licenciatura pela UFRGS, integrou a Cia. Santa Estação. Vencedora de outros prêmios como atriz coadjuvante, atuou em espetáculos como O equilibrista (1998), Tragikós (2002), Parada 400: Convém tirar os sapatos (2006), A tempestade e os mistérios da ilha (2006), Mulheres insones (2006), Babel Genet (2008), Hotel Fuck: Num dia quente a maionese pode te matar (2010), Os plagiários: Uma adulteração ficcional sobre a obra de Nelson Rodrigues (2012) e Em chamas (2019).

GABRIELA GRECO
em O mal entendido


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 ALINE MARQUES
Melhor Atriz em 2016,
por VALDORF

Atriz graduada em Teatro: Licenciatura pela Uergs, estudou técnicas de bufão na École Philippe Gaulier, na França, e recebeu o Prêmio Açorianos de Revelação pelo espetáculo As bufa (2008), em que atuava ao lado da também premiada Simone de Dordi. Integrou o Grupo Cuidado que Mancha, tendo participado dos espetáculos Herlói, o herói (2010), A almofada, o castelo e o dragão (2010), As histórias mais loucas do mundo (2011), Muda mundo (2011) e Le bufê (2019).

ALINE MARQUES
em Valdorf


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DENIZELI CARDOSO
Melhor Atriz em 2017,
por NAS SOMBRAS DO CORAÇÃO

Atriz, cantora e produtora cultural. Em teatro atuou em  espetáculos como Macário, o afortunado (1991), Os crimes da Rua do Arvoredo (1999), Pai contra mãe (2004), Como agarrar um marido antes dos 40 (2008), Night club (2012), Godspell, a esperança (2013) e Em chamas (2019).
DENIZELI CARDOSO
em Nas sombras do coração


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EVELYN LIGOCKI
Melhor Atriz em 2019,
por TOCAR PARAÍSO

Atriz graduada em Artes Cênicas pela UFRGS, tem em seu currículo espetáculos criados em Porto Alegre, como A guarda cuidadosa (1999), A floresta das delícias (2001), Borboletas de sol de asas magoadas (2002), All that fall (2002), Antígona (2004), Heldenplatz (2005) e Extinção- a impossibilidade física da morte na mente de alguém vivo (2005). Fora da capital gaúcha, participou como atriz em espetáculos como Fuga! (2007) do LUME Teatro de Campinas (SP), A filosofia na alcova (2008), com o Grupo Os Satyros, de São Paulo, Brasília, e as maravilhosas Cascatas do Iguaçu, performance realizada na Galeria Vermelho de São Paulo, além de trabalhos em audiovisual.
 EVELYN LIGOCKI
em Tocar paraíso
 
 
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HAYLINE VITÓRIA
Melhor Atriz em 2021,
por A ÚLTIMA NEGRA

Atriz graduada em Licenciatura em Teatro pela UFRGS. Também atuou no espetáculo Junho- Uma aventura imaginária (2019).
HAYLINE VITÓRIA
em A última negra

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Pequenas violências silenciosas e cotidianas

Um espetáculo que empurra os espectadores em direção a uma nova forma de sensorialidade, na qual são privilegiadas fundamentalmente a visão fragmentária de corpos e a escuta atenta de estilhaços de pensamentos. Uma experiência estética desafiadora e original, que exige de seus testemunhantes um abandono às tradicionais formas de se assistir teatro. Pequenas violências silenciosas e cotidianas impõe-se como uma das mais ousadas construções cênicas do nosso teatro que já presenciei, que nos entrega - com seu ritmo ágil e absolutamente preciso, beirando tecnicamente a perfeição -, uma espécie de odisseia marginal, na qual conseguimos identificar uma linha condutora principal, que envolve o planejamento e a execução de um atentado a bomba em um ônibus, e uma série de linhas paralelas/convergentes, em que figuras mais ou menos silenciosas, mais ou menos preconceituosas, mais ou menos fracassadas, deixam entrever suas ideias de mundo em fluxos narrativos que se sucedem.
Apesar da originalidade da proposta do encenador e dramaturgo Fernando Kike Barbosa, identifico afinidades artísticas entre esse seu espetáculo e trabalhos da companhia teatral paulistana Club Noir, comandada por Roberto Alvim. Alvim esteve neste 2013 no Porto Alegre em Cena, com sua trilogia Peep Classic Ésquilo, na qual encenou, em versões pocket (entre 25 e 30 minutos cada), todas as sete peças daquele que é considerado o pai da tragédia. Em comum com a experiência de Alvim, está o uso da iluminação como elemento fundamental da encenação. Se na trilogia grega a iluminação era a mesma nas três encenações (uma lâmpada fluorescente ao fundo do palco, que iluminava a cena e os atores apenas através do recurso do "contra", eliminando totalmente as expressões faciais e transformando os atores em silhuetas estáticas e falantes), causando na audiência um perturbador estado de irrealidade, na montagem dirigida por Kike, as lanternas manipuladas pelo elenco, em rapidíssimas transformações de cores e de ângulos, deixam entrever uma narrativa oposta em dinâmica, pois nos surpreende continuamente, durante seus pouco menos de 60 minutos. Pequenas violências silenciosas e cotidianas me remeteu à estética cinematográfica, com seus cortes rápidos e isolamento de suas figuras em nichos, e, principalmente, aos quadrinhos, pelo inusitado suceder de enquadramentos (ditados pelo ângulo das lanternas em relação aos corpos que iluminam) e pelo uso das cores (vermelho, azul, verde, amarelo), que auxiliam na identificação das figuras que vemos.
O elenco é incrível, e cumpre suas dificílimas tarefas de maneira admirável. Cassiano Ranzolin, Janaina Pelizzon, Liane Venturella, Rafael Guerra e Rodrigo Mello se desdobram em várias personas, risíveis, ridículas, patéticas, assustadoras. Ainda que o foco da encenação não seja totalmente no trabalho vocal dos atores (como era na trilogia de Alvim), em Pequenas violências há belos exemplos do potencial que a voz humana tem no teatro, e mais especialmente no teatro contemporâneo, que muitas vezes é equivocadamente relegado apenas a um teatro de imagens e de tecnologias, mas que tem, em seus melhores momentos, deixado aos atores o protagonismo absoluto (não é a voz humana uma das mais perfeitas e infinitas tecnologias?).
Dentre inúmeras cenas inesquecíveis, algumas retumbam com maior intensidade: Cassiano Ranzolin e seu olhar assustador. Liane Venturella e sua mulher com o cachorro. Janaina Pelizzon e sua narrativa da sedução. Um espetáculo imperdível, criado no Teatro de Arena de Porto Alegre, e que merece toda a atenção possível. Em janeiro, eles estarão se apresentando em Recife (PE), e retornam a Porto Alegre ainda no primeiro mês do ano, na Sala Álvaro Moreyra. Esse é um daqueles espetáculos dos quais se pode dizer com todas as letras: não perca.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Azul é a cor mais quente

Um filme excepcional, vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes 2013 nas categorias Diretor (o tunisiano Abdellatif Kechiche) e Atriz (Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux: pela primeira vez na história do festival, o prêmio de atuação foi dividido). Em quase três horas de projeção, Azul é a cor mais quente, inspirado livremente na graphic novel homônima da francesa Julie Maroh nos proporciona um encantador mergulho no amadurecimento de uma jovem de 17 anos (Adèle), que se descobre atraída por meninas após uma primeira relação sexual não muito satisfatória com um rapaz. Sua experiência com uma garota a faz se apaixonar por Emma, estudante de Belas Artes alguns anos mais velha, que usa os cabelos tingidos de azul, e que marcará sua vida a partir dali.

O trabalho das duas protagonistas é realmente impressionante: a autenticidade e a sensibilidade de suas atuações são irresistíveis. O roteiro abre mão de grandes reviravoltas, investindo tudo nas situações banais, no cotidiano, com poucas (e perturbadoras) oportunidades de provocar terremotos emocionais. E é isso que torna o filme tão verdadeiro e as situações tão lindamente singelas: a identificação que sentimos com as dúvidas, as alegrias, as intensidades, as frustrações que são partes intrínsecas de relacionamentos amorosos. As duas moças se conhecem, se conquistam em um jogo delicado de sedução, depois consumam fisicamente seu amor em uma longa cena de sexo (quase explícito) que dura nove minutos, e que acabou sendo o motivo principal pelo qual o filme é tão falado por aí. Mas essa cena não é o clímax do filme, dentro da profundidade que ele oferece: uma cena em que duas mulheres lindas, perfeitas, se entregam ao prazer tem, no contexto de Azul é a cor mais quente, semelhante força dramática que a cena em que as mesmas duas fazem um piquenique e se olham, transmitindo toda a eletricidade da conquista. 
É um dos grandes filmes do ano, ou dos últimos anos. Belo, comovente, sincero, e indispensável.
 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Capitão Phillips

Paul Greengrass pode não ser um cineasta muito conhecido para a grande maioria dos frequentadores de cinema, mas ele é um dos mais eficientes comandantes de filmes de ação surgidos nos últimos tempos. Não aquele tipo de filme de ação baseado unicamente em explosões e tiros, subgênero que teve seu auge nos anos 1980 e 1990, com produções que tinham Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone, Jean-Claude Van Damme e mais uma matilha de heróis rosnadores e de mira incrivelmente precisa como protagonistas. É claro que o explode-explode deixou herdeiros, e hoje em dia Vin Diesel e Jason Statham passaram para as fileiras da frente na nunca superada cartilha do "tiro pelo tiro", algo como a "arte pela arte", onde o motivo para atirar não conta, basta que ele exista, pois se auto justifica.
Greengrass dirigiu A supremacia Bourne (2004) e O ultimato Bourne (2007), a segunda e a terceira partes da "trilogia Bourne", filmes baseados nos romances do escritor Robert Ludlum, que traziam como protagonista o ator Matt Damon interpretando um ex-agente secreto que perde a memória e passa a ser caçado tanto pelos ex-companheiros quanto pelos antigos e atuais inimigos. Dois filmes impecáveis no que se refere à carga de adrenalina, de criatividade nas soluções fílmicas e no ritmo frenético imprimido às sequências de pancadaria. Greengrass trouxe de volta a verossimilhança aos filmes de ação, que naquele momento, graças aos excessos, provocava frequentemente um riso de descrença e/ou um bocejo de tédio, dada a quantidade inacreditável de projéteis que as armas dos antigos heróis de ação pareciam dispor nos tambores de suas pistolas, metralhadoras e similares.
Com Voo United 93, de 2006, Greengrass encena um emocionante e angustiante petardo, a reconstituição quase documental dos incidentes que levaram ao sequestro e à destruição do voo 93, sequestrado por terroristas no Onze de Setembro de 2001, no qual os passageiros lutaram até o fim, corpo a corpo, com os raptores, até o aniquilamento de todos em virtude da colisão contra o solo, na Pennsylvania.
Este Capitão Phillips (2013) novamente baseia-se em fatos reais, ocorridos em 2009, quando o capitão de um navio de carga, Rich Phillips, passando com sua tripulação ao longo da costa da Somália, é abordado por um grupo de piratas somalis, e tem sua embarcação sequestrada. O pior acontece quando Phillips é levado junto com os piratas em um pequena baleeira (barco de pequenas proporções), e passa horas de intenso sofrimento, até ser resgatado pelas tropas americanas.
O filme é de uma tensão lancinante, nas suas quase duas horas e meia de ação. Greengrass constrói um filme incrível, muito bem filmado e editado, o supra sumo do gênero. E ainda traz Tom Hanks em uma linda atuação, especialmente naquela que é sua última cena no filme, já tendo sido resgatado pelos SEALS americanos, e em estado de choque após o desenlace trágico e sangrento. De verdade.

sábado, 30 de novembro de 2013

FRANKY/FRANKENSTEIN: UM BISTURI NA MÃO E UMA IDEIA NA CABEÇA

A nova produção de teatro para crianças do Teatro Sarcáustico, Franky/Frankenstein, se alimenta - como é usual na trajetória do grupo porto alegrense que estás prestes a completar 10 anos de atividades - da cornucópia inesgotável de referências pop do mundo contemporâneo. Desta vez, o Sarcáustico recuou um pouco mais no tempo (não uma novela de Stephen King ou o filme dela adaptado, como em Jogo da memória; tampouco a vida de Michael Jackson e de outros astros pop do século XX, como em Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá), e foi buscar material em uma das mais célebres histórias de horror já produzidas: o romance Frankenstein, de Mary Shelley, escrito no começo do século XIX. Transformar uma obra-prima gótica em uma história para crianças é uma proposta tão inusitada quanto arriscada, mas o Sarcáustico se sai bastante bem.
Como é anunciado pelos atores ao final da sessão, trata-se de uma produção independente, sem nenhum financiamento público que banque as despesas próprias de uma produção teatral, o que evidencia-se na simplicidade dos elementos visuais do espetáculo, como cenografia e figurinos. Simplicidade, no entanto, não é, jamais, sinônimo de precariedade, já que os criativos e funcionais figurinos de Fabrízio Rodrigues dão conta das necessidades, brincando com uma estética preto e branco, típica dos filmes de horror do estúdio Universal dos anos 1930 e 1940, de onde saíram as primeiras versões cinematográficas de personagens como Drácula, Múmia, Lobisomem e o próprio Frankenstein.
Porém, como trata-se de uma produção sarcáustica, o grupo cita a referência original a partir do filtro de outro grande apreciador dos fenômenos pop: o cineasta Tim Burton, que em vários de seus filmes (desde o curta metragem Frankenweenie, passando por longas como Os fantasmas se divertem, Ed Wood, Edward Mãos de tesoura e Sombras da noite) traz personagens desajustados, que têm dificuldades no convívio com seres humanos "normais". Assim, Franky/Frankenstein aproveita, de Mary Shelley, a história do monstro criado a partir de pedaços de cadáveres por um cientista (Dr. Victor Frankenstein) que queria sentir-se como Deus, ao dar vida a carne morta. Mas em lugar de braços, pernas e cérebro, o menino Frankenstein (Vitinho para os mais chegados) retira das crianças da plateia um nariz com ranho, uma orelha com cera, cabelos com piolhos, barriga com vermes e um pé chulepento para criar sua criatura; e o objetivo não é ser Deus, mas ter um amigo (Vitinho é um nerd, "apesar da palavra ainda não ter sido inventada na época").
Como fica claro, o humor é a principal arma do espetáculo, através da dramaturgia (coletiva do grupo) que debocha de situações aterrorizantes, abraça uma estética de histórias em quadrinhos e uma constante metalinguagem, esta, incomum para espetáculos de teatro infantil.
Com apenas dois atores (Guadalupe Casal e Ricardo Zigomático) que dão vida a algumas personagens cada um, o espetáculo é uma bela surpresa, e, confesso, é o tipo de peça para crianças que me atrai como espectador: aquela que não deixa um adulto, como eu, indiferente, já que as situações e piadas contemplam, muitas vezes, pelo menos duas camadas de significado: uma mais acessível a crianças pequenas, com menor bagagem cultural, e outra que cita, como já disse, filmes de horror clássicos e cenas de filmes que fazem parte da história do cinema. É assim, por exemplo, com a trilha sonora, grandemente calcada (se não integralmente) em trilhas compostas para filmes de Tim Burton (Danny Elfman, aquele gênio do Oingo Boingo, é responsável por elas). Até mesmo a clássica coreografia da mesa de Os fantasmas se divertem (Beetlejuice) aparece para nos divertir.
Guadalupe e Ricardo estão muito bem, divertem-se em cena, até mesmo com os imprevistos que fazem parte da live action. Ricardo é um belo improvisador (não um improvisador belo, não foi o que eu quis dizer), e seu jogo com a plateia é cativante, além do típico humor do grupo, que domina muito bem. A iluminação de inspiração expressionista combina perfeitamente com a encenação. A única coisa que acredito que poderia ser melhor executada é a trilha sonora: não pela escolha das músicas e sonoridades, mas pela reprodução, que é baixa em volume, e deixa de ser ainda mais atrativa, como poderia. As trilhas sonoras de Danny Elfman são ricas em seus arranjos orquestrados, e mereceriam uma maior amplificação.
Daniel Colin é um diretor muito criativo, e isso vem sendo comprovado com sucessivas montagens que ele comanda. Aqui, novamente, vemos um tipo de teatro alegre, debochado, mas respeitoso com as crianças. Parabéns ao Teatro Sarcáustico por mais uma montagem bem sucedida!

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

MARXISMO, IDEOLOGIA E ROCK'N'ROLL: IMAGENS DE CENA



Liège Monnerat e Elison Couto são os autores dessas imagens de MARXISMO, IDEOLOGIA E ROCK'N'ROLL, um espetáculo que nos deu muita alegria em fazer.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

MARXISMO, IDEOLOGIA E ROCK'N'ROLL VOLTA A CARTAZ

Quando estreamos esse espetáculo, no dia 6 de junho de 2013, no Theatro São Pedro, as primeiras manifestações pedindo por mudanças na estrutura econômica e social do Brasil estavam iniciando. Foi justamente nos primeiros dias de junho que se avolumaram as passeatas de rua por todo o país, enquanto dávamos os retoques finais em nosso espetáculo. Nascemos, nós da equipe de Marxismo, ideologia e rock'n'roll, sob o signo da contestação. Me surpreende a coincidência exata de falarmos através do teatro de causas que eram cobradas ao mesmo tempo nas ruas.
Voltaremos agora, de 14 a 24 de novembro, no Teatro Renascença, de quintas a domingos, para mais algumas apresentações (as últimas, lamento informar) dessa produção atípica nos palcos de Porto Alegre: 12 atores e músicos contando uma história épica, que percorre 22 anos da história recente, com alguns dos acontecimentos mais emblemáticos do século XX servindo como pano de fundo.
 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Gravidade

Gravidade é o sétimo longa metragem do cineasta mexicano Alfonso Cuarón, e um dos pontos altos, até o momento, de uma carreira em que se destacam o inesquecível E sua mãe também (2001), além de, talvez, o melhor dos longas da série Harry Potter - Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban (2004) - e do impactante Filhos da esperança (2006). No entanto, apesar da bela trajetória cinematográfica anterior, Gravidade parece representar, dentro do panorama da história do cinema, um daqueles filmes que se tornam referenciais, seja por apresentarem narrativas inovadoras, seja por constituírem avanços técnicos impressionantes. Nesta última categoria, a dos efeitos visuais, Gravidade filia-se a títulos como 2001- uma odisseia no espaço (1968), Tron- uma odisseia eletrônica (1982), O passageiro do futuro (1992), O exterminador do futuro 2 (1992), Titanic (1997), O senhor dos anéis (trilogia a partir de 2001) e Avatar (2009), no que eles trouxeram de concretização do imaginário, função anteriormente reservada à literatura e aos referenciais visuais de quem lia as páginas cheias de mirabolantes imagens. Com esses filmes, não precisamos mais imaginar como seria, exatamente, um mundo onde naves espaciais são realidade, ou extraterrestres nos visitam. Diretores como Stanley Kubrick, Steven Spielberg, James Cameron e, agora, Alfonso Cuarón, nos guiam e apresentam maravilhas antes apenas imaginadas.
 
O filme de Cuarón é ambientado, em 99% do tempo, no espaço sideral, seja dentro ou fora de módulos espaciais tripulados, onde as personagens de Sandra Bullock e George Clooney circulam. As recriações do ambiente espacial, em que a falta de gravidade é total, provocando a flutuação dos corpos humanos e de todos os objetos, são nada menos que extraordinárias. A perfeição atingida pela equipe técnica do filme em matéria de cenografia e fotografia, por exemplo, colocam Gravidade como um dos grandes filmes da história do cinema. É preciso também destacar o ótimo trabalho de Sandra Bullock, ao que me lembre, o melhor de sua carreira no cinema.
É um filme de aventuras, em que suspense e drama familiar também se fazem presentes, em diferentes proporções. Mas há, no roteiro, uma preocupação em dar uma camada a mais de significados às provações às quais as personagens são submetidas. Referências visuais à concepção humana são recorrentes (em uma cena, Sandra Bullock é filmada flutuando em posição fetal, como um bebê no útero da mãe; em outra sequência, muito bonita, o módulo em chamas no qual Sandra Bullock viaja, em altíssima velocidade em direção à Terra, parece um espermatozoide na corrida em direção ao gigantesco óvulo-planeta). Também há espaço para citar a teoria da evolução de Darwin, quando o módulo em que Sandra Bullock viaja cai em um oceano na Terra, afundando, e obrigando a personagem a nadar em direção à vida (a superfície da água). Nesse momento, um sapo passa nadando tranquilamente ao lado da astronauta, sugerindo a trajetória evolutiva de milhões de anos, que nos levou, Homo sapiens sapiens, da simples forma unicelular até a forma atual, passando pela forma de anfíbios, quando nossa espécie abandona a água (o líquido amniótico no qual estamos mergulhados durante a gestação).
Um lindo filme, obrigatório de assistir, mas (lamento aqueles que não tem oportunidade de assim o fazer), cuja experiência integral de fruição só se dá em um cinema IMAX 3D, como o que assisti. A grandiosidade das imagens na grande tela é parte intrínseca da experiência estética que o filme nos proporciona. Somos, como as personagens que ficam à deriva no espaço, um ínfimo ponto no universo infinito, e o gigantismo da tela IMAX nos dá um pouquinho dessa sensação.

sábado, 28 de setembro de 2013

Não importa o tamanho, mas o prazer que ele proporciona

 
Estive pensando em uma afirmação que li, há alguns dias, no recém lançado livro sobre o ator Carlos Cunha Filho, editado pelo Porto Alegre em Cena e escrito por Renato Mendonça, a partir de entrevistas realizadas por ele e por Michele Rolim com o objeto da pesquisa. O Cunha é um dos melhores atores com quem já contracenei, e nos vários processos de criação de espetáculos que já dividimos (foram oito: Ano novo, vida nova, Os bacharéis, Hamlet, Édipo, Platão dois em um, Ifigênia em Áulis + Agamenon, Legalidade, o musical e Marxismo, ideologia e rock'n'roll) sempre estive atento às suas palavras e ao que ele fazia em cena, acompanhando como se dava a construção das figuras/personagens, as escolhas, as mudanças de rumo, e por aí vai. Bem, o Cunha afirmou, no referido livro, que o tamanho da personagem não importa, para ele, e sim a qualidade ou a exigência que essa personagem representa para o ator. Até aí tudo bem, é claro que mais vale uma personagem bem condimentada com uma única cena, que seja marcante, do que um protagonista insosso, repleto de "indutores de bocejo". O Cunha sabe bem o que é isso, pois em 2001, quando encenamos Ano novo, vida nova, texto de Vera Karam e direção de Decio Antunes, a personagem que coube a ele não proferia nenhuma palavra durante mais de uma hora de espetáculo, apenas dando duas ou três tiradas ao fim da peça. E mais, a figura dele estava totalmente à margem do "conflito" do espetáculo, funcionava como um observador, um representante privilegiado dos espectadores sobre o palco, estando muito próximo, fisicamente pelo menos, das figuras ficcionais que ali transitavam.
O que acabei refletindo é que, obviamente, uma personagem pequena pode se destacar dentro de uma encenação; e o que seria do teatro sem essas figuras? Nem só de Hamlets e Macbeths vive Shakespeare. Nem só de Alaídes e Genis vive Nelson Rodrigues. Sem falar na consciência de que o teatro é uma arte coletiva por definição (e não da mesma forma que o cinema, que também necessita de dezenas de pessoas para concretizar-se, mas que trabalham juntos, geralmente, em uma estrutura industrializada, não artesanal, como o teatro). O teatro precisa de um grupo (formalizado ou não) porque é dessa forma que sua linguagem se estrutura: na confluência de ideias. 
Os coadjuvantes são a "caminha" onde deita e rola o protagonista, e não preciso ser mais explícito na metáfora, é só lembrar como é ruim uma noite dormida num colchão vagabundo. E esse reconhecimento vem, de alguma forma, pelas categorias de Melhor Ator e Atriz Coadjuvante que se veem nos festivais de teatro ou cinema.
Mas aqui entra o meu porém, que é a defesa dos protagonistas (ou coprotagonistas) para os atores. Para mim, típico ator obcecado pelo teatro, ter em mãos uma personagem "grande" (não falo só de volume de texto, embora minha paixão pela palavra também peça personagens que se comuniquem muito pela forma verbal) é uma necessidade. A complexidade exigida no trabalho é, sem dúvida, maior, já que é depositada sobre si grande parte da atenção dos espectadores. Nesse caso, o tombo pode ser muito maior (quanto maior a altura, maior o tombo): lembrem do ator Ricardo Macchi, que virou um símbolo de ator despreparado com seu cigano Igor.
Lembrei dessas coisas após assistir, na semana passada, a atriz Sandra Dani interpretar a Winnie em Oh! os belos dias, de Samuel Beckett, em encenação de Rubens Rusche. A exemplo do Cunha, também dividi o palco com a Sandra, algumas poucas vezes. Em Os bacharéis, por exemplo, opereta dirigida por Élcio Rossini em 2005, em que eu fazia o protagonista Cincinatus, a Sandra atuava em poucas cenas de conjunto, uma figura com pouco espaço para se desenvolver. No entanto, Sandra é uma grande atriz, e alguém que a visse apenas em Os bacharéis diria de seu trabalho que nada havia ali que indicasse tratar-se ela de uma das maiores do Brasil (desculpem a afirmação megalômana, já que não conheço a maioria das atrizes brasileiras; mas dentre aquelas que vi atuarem, Sandra é uma das maiores). Defendo o seguinte: um bom ator precisa (sim, precisa) de bons e volumosos papéis para se desenvolver. Em Oh! os belos dias Sandra Dani confirma aquilo que já sabíamos, mas tenho certeza de que para ela, pessoalmente, em seu íntimo trabalho de atriz, foi muito importante passar por essa experiência desafiadora. Sandra saiu melhor atriz dessa exigência que Winnie representou. Bons atores se alimentam das dificuldades, aprendem com elas. E para o Carlos Cunha Filho digo o mesmo: é um grande ator, seja em pequenos ou em grandes papéis. Mas sei que desafiá-lo com personagens complexas é um bem que se faz a ele e ao público que terá, ao fim do processo (e se tudo der certo, já que não há garantias de sucesso, nunca), uma performance de brilho.
Eu, por meu turno, me sinto privilegiado de poder, nesses 20 anos de carreira (quanto tempo se passou!, mas ainda me sinto, às vezes, com o mesmo assombro de duas décadas atrás, frente à beleza do teatro), ter podido aprender com todos aqueles com quem trabalhei, e com todas as personagens que me foram confiadas, muitas vezes protagonistas. E quero mais. Quero o que não sei fazer, o que é difícil, para quebrar as facilidades construídas. Quero o que sei fazer bem, também construído ao longo de muitos processos, pesquisas e observações. Quero fazer, em suma. E para isso, personagens como a Winnie foi para a Sandra Dani - e que representa uma possibilidade de fazer aflorar todo o talento dessa grande atriz -, são, por que não dizer, pedagógicos, pois ensinam não pela "decoreba", mas fazem o "aluno" sair a campo, pesquisar, descobrir, criar, testar seus limites.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A ida ao teatro

Quando vou assistir a um espetáculo teatral - uma das coisas que mais me dá prazer -, procuro deixar o máximo de pré-concepções de lado a partir do momento em que começa a função. Seria falso afirmar que nos colocamos 100% "inocentes" a cada nova experiência: isso não acontece com ninguém, a não ser com recém nascidos (que, obviamente, não têm o discernimento necessário para apreciar arte). É claro que minha formação específica na área do Teatro, e a minha experiência como artista, já há 20 anos, me fazem ter opiniões, ideias sobre as artes cênicas (são essas ideias que me movem como artista), e que não podem desaparecer assim, num passe de mágica. Mas o simples fato de olhar para a história do teatro como expressão com um fim espetacular me recorda que as mudanças de forma (e conteúdo) são incontáveis desde o século V a.C., quando os nossos velhos amigos gregos criaram o conceito de teatro que até hoje seguimos. Acredito também que a minha visão aberta se dá pelo fato de eu ser professor, e entender as dificuldades, as peculiaridades, as escolhas de cada artista do palco.
Recentemente assisti a um espetáculo teatral, em Porto Alegre, que não me agradou como experiência pessoal, mas no qual reconheço todo o valor do trabalho desenvolvido. Inclusive recomendo o espetáculo aos meus amigos, para que vejam a seriedade e o engajamento com uma proposta cênica (o que, em minha opinião, é uma boa maneira de fazer bom teatro: acreditar na relevância e na qualidade do que se faz).
No entanto, essa minha postura de olhar com carinho para o trabalho dos meus colegas não se reproduz com tanta frequência: o mais fácil, parece, é desmerecer, desqualificar o teatro que os outros fazem. Como se só alguns poucos gênios tivessem a fórmula mágica do bom teatro, como se só o que esses poucos gênios fazem fosse relevante.
Não tenho paciência nem respeito por quem tenta se destacar através da depreciação do trabalho do outro. E vejo, infelizmente, em muitos jovens artistas que estão chegando agora ao teatro, essa postura desrespeitosa e arrogante. Que fique claro: alguns velhos dinossauros do nosso teatro também agem assim. Mas o que me entristece é ver que os jovens artistas não surfam na onda da tolerância, da comunhão e da solidariedade pela nossa arte.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

MARXISMO, IDEOLOGIA E ROCK'N'ROLL em imagens


 
MARXISMO, IDEOLOGIA E ROCK'N'ROLL foi uma autêntica surpresa para todos nós que construímos esse espetáculo tão especial. Não que tenhamos jamais duvidado da importância da temática que trazíamos à cena, nem da talentosa e eficiente equipe que amalgamamos. Mas tínhamos, racionalmente, a consciência de que um tema de certa forma espinhoso como ideologia política e ideias socialistas poderia não ser tão palatável para um público que tem, com tanta frequência, no teatro, no cinema e na TV contemporâneas, discussões fúteis e pouco aprofundadas sobre temas banais. Não descobrimos a roda, obviamente, ao trazer para o palco um investimento em ideias, mas certamente desviamos por um braço menos explorado do rio do teatro local.
A adaptação do texto de Tom Stoppard, checo-britânico de notável circulação pelo teatro e pelo cinema (aqui, como roteirista e cineasta bissexto), criou em Rock'n'roll (o título original de seu texto) um drama épico que atravessa mais de duas décadas da história europeia (e mundial), de 1968 a 1990, centrado em duas cidades de grande importância para os movimentos de luta pela liberdade política no século XX: a inglesa Cambridge, e a checa Praga.
A encenação, a cargo de Luciano Alabarse e Margarida Peixoto, aproveitou-se da estrutura cinematográfica da dramaturgia de Stoppard, resolvendo de forma eficiente e muito teatral as passagens de cena e as transições (tanto geográficas quanto temporais). A cenografia reproduz espécies de sets de cinema, em que as geralmente breves e intensas cenas se desenvolvem, e são rapidamente sucedidas por outras.
Foram apenas quatro apresentações no Theatro São Pedro, quase sempre lotado, com seguramente mais de 500 pessoas por noite. Um público atento, entusiasmado (muitos batiam palmas e cantavam, acompanhando as canções entoadas pelo elenco, seja no início, seja ao final do espetáculo), e que, muitas vezes pude constatar, ao final das apresentações vinham nos cumprimentar comovidos às lágrimas.
Esperamos, com toda intensidade, que nos seja disponibilizado um teatro para que possamos continuar apresentando nosso espetáculo em Porto Alegre. Pela segunda vez entraremos como concorrentes no edital para ocupação dos teatros municipais de Porto Alegre, já que não fomos contemplados da primeira vez. Uma equipe incrível e totalmente una em seu desejo de fazer um teatro relevante em nossa cidade, que produziu esse espetáculo com a cara e a coragem, sem financiamento, e a despeito de todos os riscos de não ter um bom público, entregou-se à aventura de um teatro de ideias.
No elenco de MARXISMO, IDEOLOGIA E ROCK'N'ROLL estão Marcelo Ádams, Carlos Cunha Filho, Áurea Baptista, Gustavo Susin, Lisiane Medeiros, Clóvis Massa, Mauro Soares, Pingo Alabarce, Luísa Herter e Marcello Crawshaw, além da belíssima participação de Arthur de Faria, que executa a trilha sonora ao vivo durante toda a encenação, secundado pelo elenco. Os figurinos são de Cláudio Benevenga (um trabalho exaustivo e delicado de garimpagem das dezenas de peças que compõem o figurino), a lindíssima iluminação é de João Fraga, maquiagem e cabelos de Elison Couto, e produção de Miguel Arcanjo e Fernando Zugno.
Foi um grande prazer e um belo aprendizado todo o processo de construção do espetáculo, e agradeço a todos que se deixaram envolver pela força descomunal que por vezes o teatro tem: de ser relevante, importante e necessário.