Sábado e domingo acontecem as últimas apresentações de 2011 de A CÃOFUSÃO- UMA AVENTURA LEGAL PRA CACHORRO. Vá conferir!
Marcelo Ádams
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Kalashnikov, eu acabei de falecer, e você?
O espetáculo resultante do Curso de Formação de Atores 2011 do TEPA está em cartaz na sede da escola (Cristóvão Colombo, 400), e deve ser visto por quem se interessa pelo teatro contemporâneo. A história dessa montagem, que envolve 19 alunos-atores, é assim: há alguns meses, a Jezebel de Carli estava procurando um texto para essa montagem, e que tivesse determinadas características (proporcionasse a participação de vários atores, fosse contemporâneo, tivesse uma temática instigante...). Imediatamente lembrei de um texto, Cruzadas, de Michel Azama, e sugeri à Jeze. Esse texto é muito especial para mim, recorrentemente volto a ele; há alguns anos fiz um projeto para montá-lo, que não foi aprovado. Depois, no final de 2009, quando estávamos montando Solos trágicos, dirigido pelo Roberto Oliveira, apresentei o texto a ele, como exemplo do trágico na dramaturgia contemporânea. O Roberto adorou, e trechos de Cruzadas foram utilizados nos fragmentos atuados por Daniel Colin, Fernanda Petit e Lucas Sampaio.
Agora a Jezebel, a Gina Tocchetto e a Tatiana Vinhais assinam a concepção e o roteiro dessa montagem, que por se tratar de uma adaptação de Cruzadas recebeu o título de Kalashnikov, eu acabei de falecer, e você?. Eu mesmo, como professor de Teoria e História do Teatro no TEPA ajudei pontualmente no trabalho de atuação de alguns dos alunos.
A encenação é vigorosa, contando com o trabalho corporal intenso dos atores, e embalados pela brilhante dramaturgia de Michel Azama. Cruzadas trata de guerras. Ainda que a ação principal se concentre no Oriente Médio, em uma fronteira que divide judeus e palestinos, há espaço para outras guerras (a invasão dos ocidentais em busca do Santo Graal, na Idade Média; a invasão do Iraque pelos norte-americanos; o massacre dos peles-vermelhas nos Estados Unidos, etc.). O trio de diretoras constrói um espetáculo musical, com banda rockeira ao vivo, coreografias entusiasmantes, imagens surpreendentes e entrega total do jovem elenco. É um espetáculo atualíssimo, não só pela temática da violência, mas pela forma encontrada para traduzir tudo isso em teatralidade. Fica em cartaz até dia 15 de dezembro, de terças a quintas, e é realmente imperdível.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
A cãofusão: últimas apresentações do ano!
No próximo fim de semana serão realizadas as últimas apresentações do espetáculo musical para crianças A CÃOFUSÃO- UMA AVENTURA LEGAL PRA CACHORRO. Com texto meu e direção de Lúcia Bendati para um elenco primoroso, a peça certamente está entre os destaques do teatro de Porto Alegre neste 2011. Dinâmico, alegre, poético e engraçado, são alguns dos adjetivos que o público tem aplicado a essa aventura animal. Quem ainda não assistiu a esse multi-premiado trabalho (recebeu sete prêmios no último Festival de Teatro de Ponta Grossa/PR, entre eles Melhor Espetáculo) não pode perder esta chance!
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
As duas primeiras batidas de Molière
O Grupo Farsa está voltando a cartaz, a partir deste fim de semana, com as duas montagens que realizou a partir de peças do dramaturgo francês Jean-Baptiste Poquelin, "dit" Molière.
A primeira delas, O avarento, de 2009, constrói uma encenação mais clássica visualmente (com figurinos remetendo ao século XVII francês) e com um trabalho vocal preciso e entusiasmante. O grupo viajou bastante com essa peça, e ganhou diversos prêmios em festivais pelo Brasil.
De 2011 é Tartufo, com uma ideia diversa em relação à ambientação: nada do classicismo francês, que é abandonado em favor de uma contemporaneidade (do século XX, pelo menos) que escancara a validade da crítica que Molière fazia à Igreja Católica Apostólica Romana. Na versão do Farsa, a crítica recai sobre os cultos pentecostais, que fazem horrores prometendo literalmente céus e terras aos seus devotos.
Dois espetáculos marcantes e que devem ser conferidos por todos que fazem e gostam de bom teatro. Eu vou assistir de novo, até mesmo como preparação para a nova montagem que a Cia. de Teatro ao Quadrado está preparando para 2012, de um texto de Molière.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
UMA SOMBRA NA ESCURIDÃO- leitura dramática
O Teatro de Arena de Porto Alegre mantém o projeto Dramaturgia em debate, em que dramaturgos gaúchos são convidados para apresentarem um de seus textos através de leitura dramática. Já estiveram no Arena Júlio Zanotta, Artur Pinto, Patsy Cecato (estou esquecendo de alguém, provavelmente) e agora é a minha vez.
Na próxima terça-feira, 22 de novembro, às 20 horas no Teatro de Arena, vamos realizar a leitura dramática de um de meus textos, UMA SOMBRA NA ESCURIDÃO, com ENTRADA FRANCA. A peça é uma paródia-homenagem ao gênero policial noir, ambientada na Nova York da década de 1950, e que foi celebrizado pelo cinema norte-americano das décadas de 40 e 50 do século XX. Filmes como O destino bate à sua porta, Pacto de sangue, Crepúsculo dos deuses e Chinatown compõem a inspiração da minha peça.
Participarão da leitura os atores Margarida Leoni Peixoto, Gustavo Susin, Marcos Chaves, Larissa Sanguiné, Luísa Herter, Carlos Paixão, Rossendo Rodrigues, Diogo Zanella e Marcelo Adams.
O Teatro de Arena fica na Av. Borges de Medeiros, 835- Centro de Porto Alegre.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
A bilha quebrada estreia no Teatro de Arena
Montagem de texto cômico do dramaturgo alemão Heinrich von Kleist ocorre de 18 de novembro a 11 de dezembro (sextas, sábados e domingos) com direção de Clóvis Massa. Peça escrita pelo poeta, romancista, dramaturgo e contista alemão que viveu apenas 34 anos (1777-1811), e que ficou mais conhecido por suas obras sérias, ganha adaptação livre e será encenada 50 anos após sua última exibição na capital gaúcha.
A bilha quebrada estreou em 1808 em Weimar (Alemanha) com direção de ninguém menos do que Goethe. Em Porto Alegre, no início dos anos 1960, foi montada com muito sucesso, com a direção de Linneu Dias e elenco em que se destacavam Cláudio Heemann e Lilian Lemmertz.
Em 2011, o diretor Clóvis Massa propõe uma nova leitura da obra, que ganha temporada de 18 de novembro a 11 de dezembro, sextas, sábados e domingos, às 20 horas, no histórico Teatro de Arena de Porto Alegre (Borges de Medeiros, 835, Altos do Viaduto, Centro Histórico).
A ação da peça se passa no tribunal do juiz Adão, na aldeia holandesa de Huisum, onde Dona Marta se queixa que uma bilha (ou seja, um jarro) foi quebrado na noite anterior, quando sua filha Eva foi surpreendida com um homem em seu quarto em plena madrugada. Enquanto acusa o noivo da jovem, o camponês Ruprecht, sob a presença austera do desembargador Walter, vindo de Utrecht, à medida que o julgamento ocorre, fica claro que outro homem, também presente no tribunal, é o verdadeiro culpado pelo estrago da relíquia.
Para Clóvis Massa, a ausência de montagens da obra de Kleist se deve pelas dificuldades da escritura romântica: “O enredo é simples, mas essa aparente simplicidade é justamente o grande desafio da peça. É interessante como Kleist emprega o grotesco, ou seja, a coexistência de elementos contrários. É uma comédia que abusa do discurso e da narração dramática, mas que contem algo de inverossímil e farsesco. Os vários personagens estão presentes no tribunal em quase todas as cenas, apesar de não participarem todo o tempo. Até mesmo o título traz essa ambiguidade, pois a maioria das pessoas desconhece que bilha é um jarro.”
Esta peça está sendo montada com o Prêmio de Incentivo à Pesquisa Teatral no Teatro de Arena, destinado a projetos inéditos de pesquisa em Artes Cênicas, que resultou em uma produção especialmente criada para arena de três lados, desenvolvida no Teatro de Arena, no 1° e 2º semestres de 2011.
Ficha técnica:
A BILHA QUEBRADA | Montagem do Coletivo Confúcios & Confusos
Direção: Clóvis Massa
Direção Musical: Marcão Acosta
Iluminação: Cláudia de Bem
Figurinos: Rô Cortinhas
Maquiagem: Margarida Leoni Peixoto
Projeto gráfico: Dídi Jucá
Cenografia: Marco Fronckowiak
Fotos: Julio Appel
Produção: MS2 Produtora
Direção Musical: Marcão Acosta
Iluminação: Cláudia de Bem
Figurinos: Rô Cortinhas
Maquiagem: Margarida Leoni Peixoto
Projeto gráfico: Dídi Jucá
Cenografia: Marco Fronckowiak
Fotos: Julio Appel
Produção: MS2 Produtora
Elenco: Luís Franke, Luciano Pieper, Renata Teixeira, Marcello Crawshaw, Claudia Lewis, Larissa Tavares, Marcelo Mertins e Ariane Mendes
Serviço:
A bilha quebrada – Coletivo Confúcio & Confusos
De 18 de novembro a 11 de dezembro de 2011. Sextas, sábados e domingos às 20h
De 18 de novembro a 11 de dezembro de 2011. Sextas, sábados e domingos às 20h
Teatro de Arena (Borges de Medeiros, 835, Altos do Viaduto – Centro Histórico - Porto Alegre)
Ingressos:
R$20,00
R$10,00 (Classe artística, idosos e estudantes)
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Ivo Bender vence o Prêmio Fato Literário 2011
Mais do que merecida a vitória do dramaturgo Ivo Bender no Prêmio Fato Literário 2011. Este é um ano muito especial para o Ivo, quando completa 50 de dramaturgia e 75 de idade. Parabéns Ivo, um exemplo positivo para todos que fazem do teatro a principal forma de expressão artística!
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Mulheres Pessegueiro estreia hoje
O novo espetáculo com texto e direção da amiga Patsy Cecato estreia hoje. Patsy tem em sua carreira, que já conta mais de 30 anos, espetáculos de sucesso como Se meu ponto G falasse, Manual prático da mulher moderna, Hotel Rosa-Flor...(isso para ficar apenas nos mais recentes, a partir dos anos 1990).
No elenco estão (no cartaz, de cima para baixo) Catharina Conte, Laura Medina, Áurea Baptista e Lourdes Kauffmann. Merda a todos da equipe!
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Maldito coração, me alegra que tu sofras
Com 15 anos de estrada, Maldito coração, me alegra que tu sofras, é um daqueles espetáculos que costumam permanecer em cartaz por anos. Porto Alegre tem essa característica, de eleger alguns trabalhos e torná-los especiais e queridos pelo público (é claro que, para isso, é indispensável o desejo de continuar com um mesmo trabalho por anos, por parte dos envolvidos).
Reunindo três artistas de grande destaque no teatro gaúcho, a peça é um solo agridoce, que traz algumas surpresas para a plateia que assiste ao texto de Vera Karam, conduzido de maneira delicada pela direção de Mauro Soares e a interpretação madura e extremamente nuançada de Ida Celina.
Uma informação que eu desconhecia é que a peça estreou em 1996, em Buenos Aires, Argentina. Mas agora a peça está aqui pertinho de nós, e é uma obrigação, para todos aqueles que gostam de bom teatro, assistir esse belo espetáculo.
Teatro do Instituto Goethe
Dias 11, 12 e 13 de novembro
Sexta e sábado às 21h e domingo às 20h
Ingresso: R$ 20,00
Desconto: 50% Classe artística / Idosos
10% Estudantes
sábado, 5 de novembro de 2011
Os fuzis da Sra. Carrar: fotos da leitura dramática
No dia 21 de outubro, dirigi a leitura dramática do texto Os fuzis da Sra. Carrar, de Bertolt Brecht, no Teatro de Arena, na semana de aniversário de 44 anos deste importantíssimo espaço cultural do Rio Grande do Sul. Na ocasião, estavam presentes na plateia diversas personalidades da cena cultural de Porto Alegre, entre elas o fundador do Arena, Jairo de Andrade, e o ex-governador do estado, Olívio Dutra. No elenco da leitura estavam Mirna Spritzer, Margarida Leoni Peixoto, Vika Schabbach, Gisela Habeyche, Luísa Herter e Lúcia Bendati.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
A ÚLTIMA ESTRADA DA PRAIA na Casa de Cultura Mario Quintana
O longa metragem A ÚLTIMA ESTRADA DA PRAIA, filmado inteiramente no Rio Grande do Sul, com equipe (quase) 100% local (o André Luís da Cunha, diretor de fotografia, é de Brasília), continua em cartaz nos cinemas de Porto Alegre. É impressionante a longevidade desse elogiado e premiado filme dirigido pelo Fabiano de Souza em salas da capital. Estreou no dia 16 de setembro, em três espaços, e agora volta a cartaz na SALA EDUARDO HIRTZ da Casa de Cultura Mario Quintana, em sessões diárias às 19h15min.
Muita gente já assistiu e continua assistindo a esse belo filme, com elenco principal composto por Marcelo Adams, Marcos Contreras, Rafael Sieg e Miriã Possani.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Ivo Bender e Ana Mariano concorrem ao Prêmio Fato Literário 2011
Neste ano, o Prêmio Fato Literário tem duas pessoas a quem admiro muito concorrendo: a poeta e romancista Ana Mariano e o dramaturgo Ivo Bender.
Ana lançou há pouco seu lindo romance Atado de ervas. Ivo também entregou seu primeiro volume de contos, depois de 50 anos escrevendo para teatro, ambos publicados pela L&PM. Vote no site para escolher o vencedor pelo Júri popular em
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
De professor a aluno
A matéria aí de cima foi publicada esta semana na Contracapa da Zero Hora, comandada pelo jornalista Roger Lerina. Primeiras divulgações do nosso novo espetáculos, que estreará em março de 2012.
Fiquei pensando que a vida do ator é tão interessante porque ele pode abordar os diferentes ângulos de um mesmo problema conforme ele muda de personagem. Explico: em 2010, a Cia. de Teatro ao Quadrado encenou A LIÇÃO, de Eugène Ionesco, onde eu vivia o Professor psicopata (foto logo abaixo) que manchava de sangue a sala de aula a estocadas de faca. Em 2012, viverei o outro lado dessa moeda, dando concretude a um estudante, também em uma sala de aula. Em comum às duas peças, a violência que corre à volta da instituição escola. Em INIMIGOS DE CLASSE, minha personagem chama-se Ferro (dá pra ter uma ideia, pelo nome, de que esse aluno também não é exatamente um bom moço), e o texto de Nigel Williams deixa claro que o problema da educação, no mundo atual, é mais complexo do que parece à primeira vista: não há maniqueísmo possível, não há culpados e inocentes; há sim um sistema educacional oscilante e pedindo para ser transformado.
Enquanto isso, na vida real, eu, Marcelo Adams, personagem de mim mesmo, sigo sendo professor na UERGS, e ensinando teatro aos meus alunos...
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Os fuzis da Sra. Carrar
Amanhã, dia 21 de outubro, será realizada a leitura dramática da peça OS FUZIS DA SRA. CARRAR, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, às 20 horas, no Teatro de Arena (Borges de Medeiros, 835), com ENTRADA FRANCA. A escolha do texto para essa leitura se deu por uma circunstância triste para o teatro gaúcho: neste ano perdemos o ator Jesus Tubalcain, que fez parte do elenco do Teatro de Arena em seus primeiros tempos (anos 1960 e 1970). Em 1968, Jesus participou de sua primeira montagem no Arena com a encenação desta peça; é portanto uma forma de homenagear esse ator que fez parte de um dos momentos mais importantes da história de nosso teatro.
Escrito por Brecht em 1937, o texto é um dos mais conhecidos deste grande teórico e encenador teatral do século XX, e é ambientado na região da Andaluzia, na Espanha (a mesma de Federico García Lorca). Durante a Guerra Civil Espanhola (iniciada em 1936), Teresa Carrar mantém sob sua guarda alguns fuzis que haviam pertencido ao seu finado marido. Quando seu irmão Pedro chega em sua casa, disposto a carregar consigo os fuzis, para que sejam utilizados na resistência contra o General Franco, a Sra. Carrar nega-se a entregá-los, acreditando que a violência não é a melhor saída. Uma série de embates éticos são travados entre as personagens, discutindo questões que envolvem o estado de guerra e as decisões que advêm de envolver-se diretamente ou não no conflito.
A leitura dramática tem direção de Marcelo Adams, e tem no elenco apenas mulheres, que interpretam também as personagens masculinas: Mirna Spritzer, Margarida Leoni Peixoto, Gisela Habeyche, Vika Schabbach, Luísa Herter e Lúcia Bendati.
Na mesma ocasião, será lançado o edital do Prêmio de Pesquisa em Artes Cênicas do Teatro de Arena, versão 2012.
Esta é uma foto da montagem original do Arena, de 1968. Jesus Tubalcain é o bigodudo. No elenco estavam atores atores como Ida Celina (querida parceira minha de palco), Ludoval Campos, Alba Rosa, Aparecida Dutra, entre outros, sob a direção de Wagner Mello.
Esta é uma foto da montagem original do Arena, de 1968. Jesus Tubalcain é o bigodudo. No elenco estavam atores atores como Ida Celina (querida parceira minha de palco), Ludoval Campos, Alba Rosa, Aparecida Dutra, entre outros, sob a direção de Wagner Mello.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Goela abaixo ou Por que tu não bebes?
O nosso amigo Bob Bahlis esteve comigo e com a Margarida ontem, em Passo Fundo, onde apresentamos nosso espetáculo GOELA ABAIXO OU POR QUE TU NÃO BEBES?, que está em cartaz desde 2005. A seguir um trechinho da peça, que Bob gravou.
sábado, 15 de outubro de 2011
Cida Moreira em A dama indigna
Cida Moreira é uma das maiores atrizes a que já tive o prazer de ouvir cantar. Sim, porque chamar Cida de cantora, apenas, é ser impreciso. O que ela faz não é só cantar, mas transmitir de tal maneira e com tal riqueza de intenções as canções que interpreta, que eu, que sou ator, fico invejando admirado o incrível e riquíssimo arsenal de sutilezas que ela decanta. Quem já ouviu Sympathy for the devil, por exemplo, na vibrante voz de Mick Jagger, fica surpreso com a quase-doçura-assustadora com a qual Cida a interpreta. Ou Summertime, um dos maiores clássicos da canção do século XX, que Cida consegue reinventar de maneira comovedora.
Assistindo ao show de Cida no Studio Clio, por várias vezes fui levado às lágrimas: as palavras que ela pronuncia parecem, como que pela primeira vez, fazer sentido, mesmo que já as conheçamos. Foi assim com Maior que o meu amor, que de tão sincera na interpretação de Cida, faz com que se torne a versão definitiva para essa linda canção. Ou com O ciúme, de Caetano Veloso, de uma beleza engasgante.
Não dá para falar de momentos altos do show, porque todos eles são magnéticos: Cida nos prende com sua presença segura e rasgadamente teatral. Há ainda a delicada direção de Humberto Vieira, que dá à Cida atriz-cantora alguns momentos impagáveis, como quando espatifa uma taça no chão do palco, ou quando beija uma rosa para em seguida esmagá-la entre os dedos, jogando os fragmentos em direção à plateia, como quem diz "peguem, este é o corpo de Cida", numa debochada paráfrase cristã. E Cida, como ela própria admite, se revela 100% no repertório de A dama indigna. The man I love e Canção desnaturada são as maiores provas disso: é quando Cida fala de seus maiores amores, utilizando o que de melhor sabe fazer para expor suas entranhas apaixonadas.
Só para finalizar, mas sem esgotar o conteúdo do show, é preciso mencionar a divertidíssima recriação vocal para Sou assim. Ou do mega sucesso Back to black, que com Cida ganha contornos waitsianos-brechtianos (e poderia ser diferente?).
Foi um privilégio ter assistido novamente a essa grande, grande cantora brasileira, a quem eu tenho o prazer de conhecer fora dos palcos também. Essa escorpiana (minha colega de signo) tem a chama rara da arte completa. Os cabelos avermelhados de Cida são como que a ponta do iceberg desse talento, que parecem assinalar a paixão que a queima. Parabéns Cida e Humberto, vocês são demais.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
INIMIGOS DE CLASSE
A foto acima é do primeiro encontro da montagem do espetáculo INIMIGOS DE CLASSE, que estreará em março de 2012, com direção de Luciano Alabarse. O texto do inglês Nigel Williams trata de um grupo de estudantes que, enquanto espera a chegada do novo professor, decide dar aulas, uns para os outros, sobre os assuntos que cada um domina. Uma linguagem crua, violenta e urgente impregna esse universo. A escola é uma selva onde cada um se defende como pode. Uma crítica implacável à educação degradada nas escolas, mas também ao desinteresse assustador que se vê nos jovens de hoje em relação ao ensino.
Na foto, o elenco: da esquerda para a direita, Denis Gosch, Fernando Zugno, Fabrizio Gorziza, Marcelo Ádams, Marcello Crawshaw, Gustavo Susin e Eduardo Steinmetz. Há ainda a participação de Mauro Soares, interpretando um professor, e de Margarida Peixoto, fazendo a preparação corporal do elenco.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
GOELA ABAIXO em Passo Fundo
O espetáculo GOELA ABAIXO OU POR QUE TU NÃO BEBES?, que desde 2003 se apresenta pelos palcos gaúchos (e fora do RS, com muita alegria), será mostrado no próximo domingo, dia 16 de outubro, às 20h, no Teatro do SESC em Passo Fundo. Direção de Marcelo Ádams, com Margarida Peixoto e o próprio Marcelo no elenco.
Ambientado em uma cervejaria do Leste europeu, essa comédia dramática teve em nossa encenação a inspiração da obra de outro grande tcheco, o escritor Franz Kafka. Poder, embriaguez, burocracia, perseguição política e humor fazem parte dessa receita que tem dado certo desde a estreia. E Porto Alegre receberá, no próximo verão, a já tradicional temporada de Goela abaixo no Teatro de Arena.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
A ÚLTIMA ESTRADA DA PRAIA ainda em cartaz nos cinemas
O longa metragem rodado inteirmante no RS A ÚLTIMA ESTRADA DA PRAIA, dirigido por Fabiano de Souza, continua em cartaz nos cinemas de Porto Alegre, desta vez no CINE BANCÁRIOS, em sessões diárias. No elenco Marcelo Adams, Marcos Contreras, Miriã Possani e Rafael Sieg. Premiado em festivais pelo Brasil, o filme é um deliciosa viagem pelo litoral gaúcho, ao som de Arthur de Faria, Wander Wildner, Nei Lisboa...
terça-feira, 4 de outubro de 2011
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