Marcelo Ádams

Marcelo Ádams

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

INIMIGOS DE CLASSE

A foto acima é do primeiro encontro da montagem do espetáculo INIMIGOS DE CLASSE, que estreará em março de 2012, com direção de Luciano Alabarse. O texto do inglês Nigel Williams trata de um grupo de estudantes que, enquanto espera a chegada do novo professor, decide dar aulas, uns para os outros, sobre os assuntos que cada um domina. Uma linguagem crua, violenta e urgente impregna esse universo. A escola é uma selva onde cada um se defende como pode. Uma crítica implacável à educação degradada nas escolas, mas também ao desinteresse assustador que se vê nos jovens de hoje em relação ao ensino.
Na foto, o elenco: da esquerda para a direita, Denis Gosch, Fernando Zugno, Fabrizio Gorziza, Marcelo Ádams, Marcello Crawshaw, Gustavo Susin e Eduardo Steinmetz. Há ainda a participação de Mauro Soares, interpretando um professor, e de Margarida Peixoto, fazendo a preparação corporal do elenco.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

GOELA ABAIXO em Passo Fundo

O espetáculo GOELA ABAIXO OU POR QUE TU NÃO BEBES?, que desde 2003 se apresenta pelos palcos gaúchos (e fora do RS, com muita alegria), será mostrado no próximo domingo, dia 16 de outubro, às 20h, no Teatro do SESC em Passo Fundo. Direção de Marcelo Ádams, com Margarida Peixoto e o próprio Marcelo no elenco.
Ambientado em uma cervejaria do Leste europeu, essa comédia dramática teve em nossa encenação a inspiração da obra de outro grande tcheco, o escritor Franz Kafka. Poder, embriaguez, burocracia, perseguição política e humor fazem parte dessa receita que tem dado certo desde a estreia. E Porto Alegre receberá, no próximo verão, a já tradicional temporada de Goela abaixo no Teatro de Arena.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A ÚLTIMA ESTRADA DA PRAIA ainda em cartaz nos cinemas

O longa metragem rodado inteirmante no RS A ÚLTIMA ESTRADA DA PRAIA, dirigido por Fabiano de Souza, continua em cartaz nos cinemas de Porto Alegre, desta vez no CINE BANCÁRIOS, em sessões diárias. No elenco Marcelo Adams, Marcos Contreras, Miriã Possani e Rafael Sieg. Premiado em festivais pelo Brasil, o filme é um deliciosa viagem pelo litoral gaúcho, ao som de Arthur de Faria, Wander Wildner, Nei Lisboa...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A ÚLTIMA ESTRADA DA PRAIA continua em cartaz nos cinemas


O longa metragem gaúcho A ÚLTIMA ESTRADA DA PRAIA, dirigido por Fabiano de Souza, continua em cartaz nos cinemas de Porto Alegre. Além do Santander Cultural, o filme estreia agora na Sala Eduardo Hirtz da Casa de Cultura Mario Quintana, com sessões diárias às 19h. No elenco, Marcelo Adams, Rafael Sieg, Marcos Contreras e Miriã Possani.

sábado, 24 de setembro de 2011

Academia Brasileira de Letras: o que é isso?

A cada nova eleição para substituição de um membro da Academia Brasileira de Letras morto, repete-se a história conhecida. Indivíduos com medíocre ou inexpressiva produção literária são eleitos, com a benção dos próprios imortais. Desta vez, o eleito para a cadeira de Moacyr Scliar, falecido no início deste ano, foi Merval Pereira. Sabem quem é? Eu sei, porque assisto o Jornal da Globo e várias vezes o vi falando sobre economia e política. É um jornalista de inegável qualidade, mas não tenho nenhuma dúvida de que não merecia estar lá. Sim, não merecia, porque em um país onde há um Rubem Fonseca, um Ziraldo, um Ignácio de Loyola Brandão, um Zuenir Ventura, um Luís Fernando Veríssimo, é inexplicável que se eleja alguém como Merval, em vez destes grandes escritores.
A ABL já conta em seus quadros como figuras inacreditáveis e risíveis como Marco Maciel e José Sarney, além do polêmico Paulo Coelho. Mário Quintana e Erico Veríssimo, para ficar apenas em grandes nomes gaúchos, não pertenceram à academia. Agora, começo a temer que vejamos, daqui a alguns anos, tomando chá nas acadêmicas tardes cariocas, Marta Medeiros e Roberto Shinyashiki. Será?

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A LIÇÃO: uma apresentação inesquecível

No último dia 20 de setembro, apresentamos nosso espetáculo A LIÇÃO no Teatro de Arena. Embora na grade de programação do 18º Porto Alegre em Cena, o espetáculo participou da mostra da Descentralização, com entrada franca. Superlotamos o Arena (que em nossa configuração, previa 95 lugares), 116 espectadores assistiram. E outros 40 foram embora, sem conseguir entrar. Bem, após a apresentação, recebemos tantas e tão belas demonstrações de apreço pela peça, que decidi reproduzir aqui apenas uma delas, recebida do ator, diretor e dramaturgo Cláudio Benevenga (para não falar que o Benevenga é também figurinista e cenógrafo premiado). Aí vai:

"Geralmente não costumo escrever sobre o trabalho dos meus colegas, principalmente em redes sociais, onde as palavras podem tomar múltiplas interpretações, dependendo da forma como são compreendidas.
Mas, depois de assistir “A Lição” de Eugène Ionesco, da Cia de Teatro Ao Quadrado, não tive como me isentar de postar um pequeno comentário sobre este trabalho.
Dentre todas as peças que tive a oportunidade de assistir no 18º POA em Cena, esta com certeza foi a que mais me impactou em todos os sentidos. Interpretações perfeitas e no ponto exato de Marcelo Adams e Luísa Herter e uma direção surpreendente e de tirar o fôlego de Margarida Leoni Peixoto.
Longe do bairrismo, da pretensão de querer achar que somos os melhores, mas gostaria de aproveitar estas linhas para pedir a curadoria do festival que tenha um olhar mais atencioso ao teatro que é produzido no RS e que também tenha maior cuidado na seleção das obras nacionais e internacionais que fazem parte da programação, deste que é sem dúvida, o mais importante festival de teatro do nosso país.
Obrigado Marcelo Adams, Luísa Herter, Margarida Leoni Peixoto, Zoé Degani, Rô Cortinhas, Fernando Ochôa e todos os envolvidos neste projeto por terem me emocionado tanto com este belíssimo e intenso espetáculo!
Saí do teatro hoje orgulhoso de ser um artista made in RS."
Obrigado pelas lindas palavras. Em nós, da Cia. de Teatro ao Quadrado, elas ressoaram como recompensa pelo trabalho de pesquisa que resultou no espetáculo. Sabe-se, desde sempre, que uma obra de arte é construída tanto por quem está no palco como por quem está na plateia. Nesse sentido, ficamos felizes que existam espectadores como o Benevenga, que não se limitam a cartilhas teatrais ultrapassadas, e que se deixam contaminar pelo que o teatro tem de mais específico: a capacidade de se reinventar, de surpreender, de proporcionar associações inusitadas e insuspeitadas.

domingo, 18 de setembro de 2011

A LIÇÃO no 18º Porto Alegre em Cena

 Nesta terça-feira, 20 de setembro, feriado, acontecerá no Teatro de Arena (Av. Borges de Medeiros, 835) a apresentação do espetáculo A LIÇÃO, dentro da programação do 18º Porto Alegre em Cena.
A LIÇÃO é um dos textos mais conhecidos do Teatro do Absurdo, escrita pelo dramaturgo romeno Eugène Ionesco em 1950. A Cia. de Teatro ao Quadrado volta a cartaz apenas neste dia 20, às 18 horas, com ENTRADA FRANCA.
Se você ainda não assistiu, não perca a oportunidade de conferir uma das peças mais bem comentadas de 2010. Leia o que foi dito sobre A LIÇÃO:
 "Impressionante o clima de humor e tensão que vai se estabelecendo no decorrer do espetáculo, nos levando da diversão à tragédia, mexendo com nossas emoções" (ANTÔNIO CARLOS FALCÃO, ator)

"A LIÇÃO é um espetáculo necessário. Peça contemporânea de alto nível, impactante, com ótimas atuações e uma direção impecável. Mexe com as nossas gavetas de emoções: desarruma, mas não deixa nada atirado no chão" (ARTUR JOSÉ PINTO, ator e dramaturgo)

"A LIÇÃO nos dá uma verdadeira aula de atuação. É um espetáculo que precisa ser visto para que tenhamos a noção da palavra "ensaio". Marcelo e Luísa estão inteiros e intensos em cena. Muita emoção e técnica, uma dupla perfeita sob a batuta da diretora Margarida Leoni Peixoto" (NADYA MENDES, atriz)

"Margarida, ao centrar sua direção no caráter brutal do texto, fez uma escolha perigosa mas justificável. O final da peça, com a aluna presa àquela cadeira (de ginecologista?) ultrapassa a brutalidade e atinge o nível do horror absoluto. E o sangue a gotejar na bacia remete de imediato à mais espantosa escatologia do horror. Marcelo nos dá uma aula de interpretação em que a voz  tem um papel fundamental. Parabéns por essa voz que, há anos não se ouvia tão bem empregada em cena." (IVO BENDER, dramaturgo)

"Numa interessante experiência conceitual, A LIÇÃO da Cia. de Teatro ao Quadrado passa a ser tão de Hitchcock quanto de Ionesco, e algumas outras possibilidades de leitura dessa obra prima ficam ao dispor do público inteligente. As atuações de Marcelo Adams e Luisa Herter estão primorosas" (CAMILO DE LÉLIS, encenador)

"Um texto clássico do Teatro do Absurdo, encenado de forma vigorosa, contundente e corajosa, com desempenhos de tirar o fôlego...extraordinariamente assustadora, levando às últimas consequências a dramaturgia de Ionesco... um luxo..." (CIDA MOREIRA, cantora)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A última estrada da praia estreia hoje nos cinemas!

Finalmente chega aos cinemas de Porto Alegre o longa dirigido por Fabiano de Souza. As sessões acontecem a partir desta sexta-feira nos seguintes cinemas e horários:

UNIBANCO ARTEPLEX - 14h e 20h
INSTITUTO NT - 21h
SANTANDER CULTURAL - 15h, 17h e 19h

É um fato a ser comemorado a estreia de um filme gaúcho em três salas.
A última estrada da praia é cinema feito aqui, por gente daqui, com qualidade, profissionalismo e ambição artística.
Programa obrigatório para quem faz arte em Porto Alegre!


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A última estrada da praia- TRAILER


Trailer do filme A Última Estrada da Praia, uma produção Rainer e Okna, dirigida por Fabiano de Souza.

ESTREIA EM PORTO ALEGRE DIA 16 DE SETEMBRO DE 2011
A Última Estrada da Praia
duração: 93min.

Leo, Norberto e Paula são muito mais que amigos. No início de uma viagem para o litoral, conhecem um estranho que não fala. Os quatro partem num périplo em que o sabor do percurso é vivenciado sem pressa. Enquanto o amigo silencioso se defronta com seus temores, Leo, Norberto e Paula mergulham nas fronteiras de um relacionamento triangular. Nas areias intermináveis das praias gaúchas, eles descobrem que é impossível ser alegre o tempo inteiro. Inspirado em O Louco do Cati de Dyonelio Machado.

com: Rafael Sieg, Marcos Contreras, Miriã Possani e Marcelo Adams.
direção: Fabiano de Souza
roteiro: Fabiano de Souza e Vicente moreno
inspirado no livro O Louco do Cati, de Dyonelio Machado
produção executiva: Aleteia Selonk
direção de fotografia: André Luís da Cunha
direção de arte: Adriana Borba
som direto: Gabriela Bervian
montagem: Milton do Prado
música: Arthur de Faria
desenho de som: Tiago Bello e Alesandre Kumpinski

Classificação indicativa: 16 anos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Com fôlego na estrada


Uma praia é uma praia é uma praia...

domingo, 11 de setembro de 2011

A última estrada da praia: alegria de viver o momento

Estreia dia 16 de setembro, nos cinemas Santander Cultural, Unibanco Arteplex e Instituto NT.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A última estrada da praia estreia nos cinemas!

A última estrada da praia- clip de Arthur de Faria e seu conjunto


Videoclip da música A última estrada da praia, com Arthur de Faria e seu conjunto, com participação especial minha. Gravamos no verão de 2011, voltando às mesmas locações do filme.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Terrence Malick: um cinema além de padrões

O cineasta norte-americano Terrence Malick (1943) dirigiu seu primeiro longa metragem em 1973 (Terra de ninguém). Cinzas no paraíso (1978), Além da linha vermelha (1998), O novo mundo (2005) e A árvore da vida (2011) completam sua filmografia: sim ele dirigiu apenas cinco filmes em quase 40 anos. Essa pequena mas importante produção demonstra que Malick não se deixa seduzir pelo sonho hollywoodiano, seus filmes são obras frequentemente enigmáticas (não no estilo David Lynch, fique claro), que talvez possam ser descritos como ensaios poético-visuais. Não há muito diálogo entre as personagens, mas narrações em off que dão conta muito mais de considerações filosóficas do que esclarecer o que se vê na tela. A última produção de Malick, A árvore da vida, recebeu a Palma de Ouro de Melhor Filme em Cannes, e tem no elenco os astros Brad Pitt e Sean Penn. Mas não espere um filme convencional, como os que Pitt e Penn fazem normalmente. A árvore da vida é um filme de imagens belíssimas, e com um andamento lento que incomoda algumas pessoas. Concordo que é preciso, de alguma forma, se identificar com a temática predominante do filme (a relação entre um pai e um filho pré-adolescente, no Texas dos anos 1950), ou se deixar encantar pela longa sequência em que é reproduzido o Big Bang, o evento que teria dado origem ao universo, e o processo de bilhões de anos que se seguiu, até o surgimento da vida na Terra (dinossauros, especialmente). Mas o longa de Malick é cinema puro, com tudo aquilo que é próprio da linguagem cinematográfica em sua exuberância: a montagem, a fotografia, o uso da trilha sonora, etc.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Jânio Quadros solta a voz

A trilha sonora da LEGALIDADE- O MUSICAL foi composta por Hique Gomez: é fantástica. Há um momento em que minha personagem, o presidente Jânio Quadros, canta uma habanera, e a foto aí de cima do ensaio mostra a grandiloquência da cena. É claro que o Jânio tem um "que" de clown, e eu me aproveito disso, porque não sou bobo nem nada...
E esta aqui é passando um bom de um laquê no cabelo, para domar os cachos rebeldes!

Jânio Quadros e Che Guevara

LEGALIDADE- O MUSICAL será apresentado nos dias 3 e 4 de setembro, sábado e domingo, às 20 horas, em frente ao Palácio Piratini. A comemoração dos 50 anos do movimento da Legalidade, liderado pelo então governandor do RS, Leonel Brizola terá como principal atração esse grande espetáculo, que tem direção artística de Luciano Alabarse e direção musical de Hique Gomez. No elenco, quase 30 atores e uma equipe técnica gigantesca para preparar um evento inesquecível.
Na foto acima eu, Marcelo Adams, como Jânio Quadros, e o Marcello Crawshaw como Che Guevara, em foto de ensaio, no momento em que Jânio condecora o líder guerrilheiro, dias antes de renunciar ao mandato de Presidente da República, em 25 de agosto de 1961. Falta a caracterização, é claro, mas eu vou ficar a cara do Jânio, esperem!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Breves entrevistas com homens hediondos

O aclamado livro de David Foster Wallace já foi adaptado para o cinema em 2009 (http://www.imdb.com/title/tt0790627/) e, segundo alguns comentários que li, não foi muito bem sucedido. Um dos argumentos dessas críticas pouco favoráveis é a dificuldade que a adaptação de textos literários encontra na transposição para outra linguagem. Isso não é novidade: desde sempre soubemos que um romance ou conto quando transposto para uma linguagem eminentemente imagética como é o cinema tem que encontrar a maneira mais adequada de resumir/sintetizar/adaptar o gigantesco número de palavras que uma narrativa literária traz e transformá-las em movimentos sensoriais. E não basta apenas adaptar, é necessário eleger, frequentemente, uma abordagem das inúmeras que existem potencialmente. Em poucas palavras: não dá para colocar o livro inteiro no filme (ou no palco).
Meu amigo cineasta Fabiano de Souza já adaptou um romance de Dyonélio Machado (O louco do Cati) para o cinema, dando origem ao longa metragem A última estrada da praia. Leia o livro e veja o filme (que estreará no dia 16 de setembro no Cine Santander, em Porto Alegre, a propósito), e confira que do romance original de Dyonélio há bem pouco, muito pouco. E em minha opinião, isso não é algo para se contestar: duas linguagens distintas geram duas obras diversas.
Algo semelhante ocorre quando se adapta uma obra literária para o palco. Nos últimos anos, Porto Alegre viu algumas dessas experiências, como o excelente O sobrado, do Grupo Cerco, onde a transposição de Erico Veríssimo encontrou a atmosfera apropriada. E agora o Teatro Sarcáustico apresenta Breves entrevistas com homens hediondos, a partir do livro de contos de Wallace.
Minha relação com esse livro começou em 2005, quando a atriz Elisa Viali me entregou o volume de contos me dizendo "Tu vais adorar, acho que tem a tua cara e dá pra adaptar pro teatro". Levei o livro pra casa, li, mas não me entusiasmei muito, pois achei que era eminentemente narrativo, ou seja, não sugeria praticamente ações, limitando-se a alguns homens falando, contando, coisa excelente numa leitura, mas perigosa em um palco. Devolvi o livro pra Elisa e ficamos assim.
O Sarcáustico certamente enfrentou a mesma limitação narrativa, mas o que eles fizeram foi, de fato, apostar na força das palavras, das imagens criadas pelas palavras, muito mais do que naquelas construídas teatralmente. É claro que existem transições, costuras, e pontuações teatrais que povoam a encenação, mas desta vez o grupo investiu em outra forma. Conseguem dar dinâmica, beleza e contundência às palavras de Wallace. Se em Wonderland a espetacularização era quase carnavalesca, até pelo espaço cênico estilo passarela, em Breves entrevistas... o espaço mínimo do Teatro de Arena induz à introspecção, à contenção. Em Wonderland havia o brilho cegante da luz, em Breves entrevistas..., a sombra.
Em um espetáculo de 2 horas de duração, é difícil manter o alto nível de interesse, e isso acontece no novo espetáculo. Há momentos de baixa, que felizmente é logo superada pela qualidade e entrega dos atores, e através das soluções simples mas eficientes. Se fosse colocar em apenas uma frase, diria que o Sarcáustico é um grupo que não tem medo de errar, é um coletivo de jovens com ideias interessantes sobre teatro, e que parecem saber colocar esse mundo caótico em que vivemos sobre o palco.
É claro que Daniel Colin tem muita responsabilidade sobre o que se viu, sendo ele uma espécie de agregador talentoso, com uma vasta cultura pop (principalmente) e muito antenado ao mundo contemporâneo. Mas a cena emblemática da encenação, em minha opinião, é a primeira, de Johnny Bracinho, interpretada por Rossendo Rodrigues sob a direção de Daniel. Não por ser apenas chocante em sua sinceridade e ironia, mas pelo trabalho de Rossendo, que realmente dá um show. Ricardo Zigomático e Guadalupe Casal completam o elenco, com trabalhos igualmente intensos e de entrega inequívoca. (Atenção para o Ricardo, muito promissor como encenador).
O jorro de palavras que se vê sobre o palco confirma aquilo que alguns insistem em negar: que dizer bem um texto é indispensável; e que ação física não é apenas acrobacia e marcações dinâmicas, mas falar, também. E o Teatro Sarcáustico confirma sua posição como um dos grupos mais importantes de Porto Alegre.